Insônia: por que o corpo está cansado, mas o sono não vem?
A insônia em momentos de exaustão física ocorre quando o estresse mantém o cérebro em estado de alerta. A psiquiatra Jessica Martani alerta sobre os perigos da privação do sono
Privação do sono alimenta estresse diurno e cria ciclo de esgotamento; consumo de álcool e perda de prazer exigem atenção médica.
Por O Globo – Publicado em 13/08/2026 – 14:23 – Foto: Magnific
Estar fisicamente exausto, mas deitar na cama e ver os pensamentos acelerarem é uma experiência comum, porém danosa à saúde. A recente declaração do cantor Tiago Iorc — que revelou ter ficado até um mês sem dormir direito durante uma fase de esgotamento, rotina intensa e perda de prazer no trabalho — jogou luz sobre a insônia provocada pela hiperatividade mental e pelo estresse prolongado.
De acordo com a psiquiatra Jessica Martani, o organismo submetido a um estado de alerta permanente torna-se incapaz de desacelerar na hora de repousar, travando o processo natural do sono.
“Pensamentos acelerados, preocupação, estresse e alterações emocionais podem manter o cérebro em um nível de ativação incompatível com o sono. Quando isso se prolonga, a própria privação de sono passa a aumentar a irritabilidade, a dificuldade de concentração e a sensação de esgotamento”, detalha a médica.
Os perigos do álcool e o ciclo da insônia
A busca por soluções rápidas para adormecer muitas vezes leva ao uso de substâncias como o álcool. Embora a bebida cause uma sensação inicial de relaxamento ou sedação, o efeito é ilusório: conforme é metabolizado pelo organismo, o álcool fragmenta o sono, provoca múltiplos despertares e impede o descanso profundo e reparador. Criar o hábito de beber para induzir o sono estabelece um ciclo de dependência prejudicial.
Além dos impactos na consolidação da memória e no foco diário, a privação contínua de sono aliada ao esgotamento pode levar à anedonia — a perda de prazer por atividades anteriormente prazerosas.
Quando procurar ajuda profissional
Uma noite isolada de descanso ruim é algo trivial. O problema passa a demandar investigação clínica quando a dificuldade em pegar no sono, os despertares noturnos frequentes ou o despertar precoce se tornam recorrentes e afetam as atividades do dia a dia.
A recomendação dos especialistas é não banalizar o sofrimento nem apelar para a automedicação. O sono deve ser encarado como um termômetro vital do organismo: quando ele falha, é sinal de que limites na rotina, na saúde emocional ou no estilo de vida precisam ser repensados.
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