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Psicologia

Entenda a Acumulação Compulsiva: Doença Crônica une Apego Emocional, Isolamento e Riscos à Saúde

O caso de uma idosa na Grande São Paulo que acumulou toneladas de lixo por duas décadas acendeu o alerta para o transtorno de acumulação compulsiva. Especialistas do HC/USP explicam

Entenda a Acumulação Compulsiva: Doença Crônica une Apego Emocional, Isolamento e Riscos à Saúde
Airton Guimes da Silva
  • Publishedjunho 2, 2026

Caso de idosa que acumulou resíduos por 20 anos na Grande São Paulo revela a complexidade de uma condição mental severa, marcada por sofrimento e barreiras de preconceito

Por Fantástico – Publicado em 02 de junho de 2026, às 15:29 – Foto: Fantástico/ Reprodução

O caso de Anita Antônia, uma idosa que vivia cercada por toneladas de resíduos em sua residência na Grande São Paulo, trouxe à tona o debate sobre a acumulação compulsiva. Longe de ser um reflexo de desleixo ou falta de higiene, especialistas alertam que a condição se trata de um transtorno de saúde mental severo, frequentemente subestimado e cercado por preconceitos sociais.

Catadora de recicláveis ganha ajuda para retirar toneladas de lixo que acumulou em casa durante 20 anos — Foto: Fantástico/ Reprodução

De acordo com médicos e pesquisadores, o quadro clínico provoca um profundo sofrimento emocional, isolamento comunitário e sérios riscos de segurança sanitária, estando intimamente ligado a outras patologias psicológicas de base, como a depressão e a ansiedade.

O Apego Emocional e a Inutilização do Lar

O psiquiatra e pesquisador do Instituto de Psiquiatria do HC/USP, Daniel Costa, esclarece que o acumulador desenvolve uma relação de apego hipertrofiado com os objetos. Para essas pessoas, descartar um item sem valor comercial gera um sofrimento equivalente à perda de um bem material ou afetivo de grande relevância. O indivíduo é dominado pela crença rígida de que qualquer resíduo poderá ser útil no futuro.

A linha que separa o colecionismo da patologia é o prejuízo prático na rotina. Nos quadros avançados, o acúmulo bloqueia o uso funcional dos cômodos da casa. O ambiente deixa de ser habitável e passa a apresentar perigos estruturais, incêndios em potencial e infestações crônicas de roedores e insetos, afetando também a vizinhança.

Rede de Apoio e a Luta Contra o Julgamento

A transformação do imóvel de Anita contou com o apoio essencial de Guilherme, um influenciador digital conhecido por realizar faxinas voluntárias e gratuitas em lares de pessoas com o transtorno. Ao expor os bastidores desse trabalho nas redes sociais, ele atua no combate ao estigma social que rotula os acumuladores como indivíduos “desleixados”. O ativista reforça que por trás do lixo acumulado costumam existir quadros profundos de depressão não diagnosticada ou negligenciada.

A limpeza física do espaço é apenas uma medida emergencial, já que a doença não possui uma solução rápida ou cura definitiva.

Catadora de recicláveis ganha ajuda para retirar toneladas de lixo que acumulou em casa durante 20 anos — Foto: Fantástico/ Reprodução

Tratamento Clínico de Longo Prazo

O manejo da acumulação compulsiva é complexo devido à ausência de uma medicação exclusiva para conter o comportamento de retenção de objetos. O tratamento médico é eminentemente terapêutico e multidisciplinar, focado no controle das comorbidades emocionais. Por se tratar de um transtorno crônico com altas taxas de recorrência, o paciente necessita de monitoramento e acolhimento em saúde mental de forma perene.

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