Ciúme do ex? Psicanalista explica a origem do ciúme retroativo e o impacto na relação presente
A obsessão pelo passado amoroso do parceiro não é um transtorno, mas especialistas alertam que a fixação é um padrão disfuncional que corrói a confiança e a intimidade na relação
A obsessão pelo passado amoroso do parceiro não é um transtorno, mas especialistas alertam que a fixação é um padrão disfuncional que corrói a confiança e a intimidade na relação presente
Por Redação — Publicado em 27/07/2026 – 10:50 – Foto Copilot IA
O passado amoroso e sexual do parceiro pode se tornar uma fonte de angústia e conflito para muitas pessoas, um fenômeno amplificado e discutido na internet sob o termo ciúme retroativo. Apesar de não ser uma classificação diagnóstica oficial, a reação é real e tem sido cada vez mais abordada em consultórios de psicologia, especialmente com o advento das redes sociais, em que interações virtuais podem ser sinônimos de brigas entre casais.
Quem nunca teve ciúmes de algum caso amoroso do atual namorado ou namorada que atire a primeira pedra. Assim, o ciúme retroativo é definido como uma fixação emocional e cognitiva sobre a história pregressa do parceiro. Não se trata de uma ameaça presente, mas, sim, de uma preocupação excessiva com ex-companheiros ou experiências anteriores que geram angústia e interferem no bem-estar da relação.
O psicanalista e professor de psicologia do Centro Universitário Uniceplac, Paulo Henrique Roberto, explica que o termo deriva da concepção de um ciúme exacerbado e irracional sobre histórias afetivas que já se passaram. Segundo ele, esse sentimento incômodo surge quando o diálogo aborda experiências sexuais e amorosas vividas pelo parceiro atual.
“Nessa retórica, aquele que sente ciúmes está diante da possibilidade de perda do objeto amado, daquele que o completa, por isso, costuma sentir que está sujeito à perda de uma parte de si mesmo”, detalha o psicanalista. Desse modo, o indivíduo age como um “paciente persecutório”, acreditando que a pessoa com a qual está se relacionando guarda uma “verdade não contada.”
Isso se manifesta em perguntas excessivas, pedidos de esclarecimento e investigações em torno de qualquer tema, colocando em xeque a autonomia do parceiro. Na visão do especialista, a fixação no passado atua como um veneno lento para a relação. Paulo Henrique Roberto enfatiza que o ciúme atrapalha porque intensifica as discussões em torno da ‘verdade’ inteiramente subjetiva daquele que sente essa angústia não explicada.
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