Dia Mundial do Orgasmo: fisioterapia pélvica pode ser a salvação para mulheres que sentem dor na relação ou não conseguem alcançar o clímax
No Dia Mundial do Orgasmo, entenda como a fisioterapia pélvica trata dores na relação sexual e ajuda mulheres a alcançar o clímax através do cuidado com o assoalho pélvico.
Especialistas reforçam que o fortalecimento e o relaxamento do assoalho pélvico são fundamentais para combater disfunções sexuais e garantir o bem-estar feminino
Por Gabriela Barbosa — Publicado em 31/07/2026 às 16:10 – Foto: Magnific
Muitas mulheres convivem por anos com sintomas de dispareunia (dor na relação sexual) ou anorgasmia (dificuldade ou incapacidade de atingir o orgasmo) por acreditarem que esses desconfortos são normais. Contudo, especialistas na área de saúde sexual apontam que a solução para esses problemas frequentemente reside em uma estrutura corporal pouco conhecida: o assoalho pélvico.
Celebrado neste 31 de julho, o Dia Mundial do Orgasmo amplia o debate sobre a importância de cuidar dessa musculatura, responsável não apenas pelo suporte de órgãos e continência urinária, mas também por garantir uma vida sexual plena e sem dores.
A influência do assoalho pélvico no prazer feminino
O assoalho pélvico é composto por um conjunto de músculos, ligamentos e tecidos que sustentam a bexiga, o útero e o reto. Durante o ato sexual, essa rede muscular desempenha papel crucial ao estimular o fluxo sanguíneo local, potencializar a lubrificação e aumentar a sensibilidade das terminações nervosas.
Em entrevista ao jornal espanhol El País, a fisioterapeuta pélvica Beatriz Peralta comparou a anatomia da região a uma rede de sustentação:
“Imagine um funil que envolve os quadris nas laterais, o sacro e a região lombar atrás, e o púbis na frente, como uma rede apoiada nesses ossos. Essa estrutura é o que sustenta os órgãos pélvicos: bexiga, uretra, reto e útero.”
Revisões científicas publicadas na revista Acta Fisiátrica, da Universidade de São Paulo (USP), confirmam que intervenções fisioterapêuticas pélvicas trazem ganhos expressivos para a função sexual feminina, aliviando tensões e restabelecendo o reflexo orgásmico.
Avaliação individualizada e técnicas que vão além dos exercícios
Diferente do senso comum, o acompanhamento com fisioterapeuta pélvico não se limita aos tradicionais exercícios de contração (conhecidos como exercícios de Kegel). O tratamento profissional inclui:
- Terapia manual e interna: Liberação miofascial e massagens intravaginais para aliviar pontos de gatilho e tensão muscular;
- Biofeedback e eletroestimulação: Recursos tecnológicos para reeducar a percepção motora da paciente;
- Exercícios de relaxamento: Indicados para quadros de hipertonia (quando o músculo fica excessivamente contraído, impedindo a penetração sem dor).
Ginecologistas ressaltam que o fortalecimento sem diagnóstico prévio pode piorar situações em que a musculatura já se encontra rígida, tornando indispensável a avaliação técnica por um profissional especializado.
Tabus, anatomia e a origem do Dia do Orgasmo
A ginecologista Enriqueta Barranco pontua ao El País que a falta de diagnóstico para disfunções sexuais femininas se deve também à lacuna no ensino médico:
“Há uma representação lamentavelmente inadequada nos livros de anatomia, inclusive nos oficiais, dos músculos que sustentam o assoalho pélvico”, adverte a médica.
A data comemorativa teve origem no Reino Unido, em 1999, a partir de mobilizações que buscavam desmistificar a sexualidade e chamar atenção para o hiato de prazer entre homens e mulheres. Com o passar do tempo, o Dia do Orgasmo consolidou-se como um marco anual de educação em saúde, prevenção de dores crônicas e promoção da autoestima feminina.
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