Quais hábitos do dia a dia podem prejudicar a saúde do coração?
Hábitos cotidianos como sedentarismo, má alimentação, tabagismo e estresse são apontados por especialistas como os principais vilões da saúde do coração. Adoção de atividades físicas regulares, dieta rica em alimentos
Alimentação, sedentarismo e outros costumes podem causar doenças cardíacas, saiba mais
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo, de acordo com a OMS.
Por Redação — Publicado em 23/09/2026 – 16:19
No Brasil, as enfermidades que atingem o coração também se apresentam em níveis preocupantes. Segundo o Ministério da Saúde, ocorrem entre 300 mil e 400 mil infartos todos os anos no país, e o número de brasileiros com insuficiência cardíaca já ultrapassa os dois milhões.
O alto índice de doenças cardiovasculares está associado ao estilo de vida atual. Nesse sentido, Kely Cruz, médica da área de cardiologia no AmorSaúde, alerta que “vários hábitos do dia a dia podem aumentar o risco cardiovascular. Entre os principais estão o sedentarismo e a alimentação rica em sal, açúcar, gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados”.
A médica explica que pequenas mudanças na rotina podem ajudar a evitar doenças cardiovasculares e defende que conhecer os fatores que fazem mal à saúde do coração é importante para evitar hábitos prejudiciais.
Hábitos que prejudicam o coração
Além do sedentarismo, que causa a perda do condicionamento físico e faz com que as artérias se tornem menos elásticas, o que dificulta a passagem do sangue e exige mais força do coração, existem ainda outras ações do dia a dia que prejudicam o coração.
De acordo com Kely, os principais hábitos são:
● Excesso de peso: “estar acima do peso favorece a resistência à insulina, o aumento da pressão arterial e a piora do colesterol. Todos esses fatores fazem com que o coração se esforce mais para bombear o sangue e podem causar problemas ao órgão em longo prazo”, resume;
● Má alimentação: “ultraprocessados costumam ter maior quantidade de sódio, açúcares adicionados e gorduras, o que aumenta o colesterol e eleva a pressão sanguínea. Além disso, esse alimentos costumam substituir pratos ricos em fibras, vitaminas e minerais, que fazem bem para o coração”, explica;
● Tabagismo: “fumar é um dos principais fatores de risco cardiovascular evitáveis. O cigarro causa lesão do revestimento interno das artérias, aumenta a inflamação, favorece a formação de placas de gordura e aumenta a tendência à formação de coágulos. Com isso, cresce o risco de infarto, AVC e doença arterial periférica. Isso também se aplica aos cigarros eletrônicos, que não devem ser considerados inofensivos”, detalha;
● Consumo excessivo de bebidas alcoólicas: “o álcool também merece atenção. O consumo elevado pode aumentar a pressão arterial, favorecer arritmias e o ganho de peso e, em algumas situações, enfraquecer o músculo cardíaco”, alerta;
● Poucas horas de sono: “ter um sono de má qualidade está relacionado a maior risco de hipertensão, alterações metabólicas, ganho de peso e pior controle da glicose. Distúrbios como a apneia obstrutiva do sono também podem aumentar a liberação de cortisol e a inflamação, contribuindo para a elevação da pressão arterial”, sintetiza;
● Estresse crônico: “o estresse provoca ativação persistente de hormônios que podem aumentar frequência cardíaca e pressão arterial. Além disso, pessoas sob estresse contínuo frequentemente dormem pior, alimentam-se
pior, fazem menos atividade física ou aumentam o consumo de cigarro e álcool, o que potencializa o risco”, defende.
A médica ainda explica que doenças cardíacas geralmente não ocorrem em decorrência de um único fator, mas de uma combinação de múltiplos. “A hipertensão, o aumento do colesterol, o diabetes, a obesidade e a inflamação dos vasos sanguíneos são doenças silenciosas e que ocorrem em conjunto em muitos pacientes. Com o passar dos anos, esses fatores facilitam a formação de placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares”, ela afirma.
Como mudar a rotina?
“Não é necessário transformar toda a rotina de uma vez. Mudanças consistentes e sustentáveis costumam ser mais importantes do que medidas radicais feitas por pouco tempo”, explica a médica. Para a profissional, algumas atitudes, como caminhar mais, preferir as escadas e ter uma alimentação natural, já têm grande impacto na saúde do coração.
Kely defende que o primeiro passo para adotar um estilo de vida saudável para o coração pode ser começar a fazer atividades físicas. “O exercício regular tem efeito protetor porque contribui para o controle da pressão, do peso, da glicemia e dos níveis de gordura no sangue, além de melhorar a capacidade cardiorrespiratória”, resume.
A médica afirma que, para a maioria dos adultos, 150 minutos de atividade física moderada por semana ou 75 minutos de atividade mais intensa, além de exercícios de fortalecimento muscular, são suficientes para manter a saúde.
Além disso, é ideal adotar uma dieta mais natural: “o padrão alimentar mais favorável ao coração é aquele baseado em frutas, verduras, legumes, feijão, cereais integrais, castanhas, sementes, peixes e outras fontes adequadas de proteína, priorizando alimentos minimamente processados”, descreve.
A importância de realizar exames
“O cuidado cardiovascular deve começar antes de existir uma doença. Não existe uma idade única em que alguém deva começar a se preocupar com o
coração. O ideal é que fatores de risco sejam avaliados ao longo da vida adulta”, explica Kely.
A médica recomenda que pessoas de todas as faixas etárias realizem consultas e pesquisem o histórico pessoal e familiar, levando em conta a presença de sintomas cardíacos, a medida da pressão arterial, o peso e o índice de massa corporal.
Ela explica que um médico recomendará os exames mais adequados para cada um dos casos. “A indicação deve depender dos sintomas, dos fatores de risco e da história do paciente, mas exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico e exames de imagem podem ser extremamente úteis”, afirma.
De acordo com a profissional, os testes mais comuns são os de colesterol, triglicerídeos, glicemia e hemoglobina glicada, que avaliam a gordura e o açúcar no sangue. No entanto, no caso de pessoas idosas, com diabetes, fumantes ou com histórico de doença cardiovascular na família, mais testes podem ser necessários.
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