Alerta médico: perfumes e géis íntimos podem causar alergias e mascarar infecções graves
Especialista em ginecologia e obstetrícia explica a frequência ideal de higienização, desmistifica o uso de sabonetes específicos e orienta sobre os sinais de alerta no corpo. Por Rahabe Barros (Rio
Especialista em ginecologia e obstetrícia explica a frequência ideal de higienização, desmistifica o uso de sabonetes específicos e orienta sobre os sinais de alerta no corpo.
Por Rahabe Barros (Rio de Janeiro) — Publicado em 07/11/2026 09:57 – Foto: Magnific
A rotina de cuidados com a saúde e higiene íntima feminina ainda é cercada por dúvidas e mitos. Produtos que prometem eliminar completamente odores corporais, duchas vaginais e a ideia de que “quanto mais higienização, melhor” costumam estampar conversas e prateleiras. No entanto, a ginecologista e obstetra Dra. Ana Paula Fabricio alerta que a higiene íntima em excesso pode alterar a proteção natural da região e até mascarar infecções graves.
A médica reforça que a anatomia feminina possui mecanismos próprios de defesa e limpeza natural, exigindo apenas uma rotina simples e sem exagero.
“A mulher deve lavar somente a parte externa da região genital, que é a vulva. A vagina, que é a parte interna, tem o próprio mecanismo de defesa e não deve ser lavada por dentro”, explica a Dra. Ana Paula Fabricio.
Quantas vezes lavar e o uso de sabonetes
De acordo com a especialista, uma lavagem diária é suficiente para manter a higiene em dia. Em períodos de temperaturas elevadas ou após a prática de atividades físicas intensas, uma higienização extra pode ser realizada. Esfregar a região em excesso ou utilizar sabões agressivos provoca ressecamento e irritação na pele sensível.
Em relação ao sabonete íntimo, a médica esclarece que o uso é opcional. Caso a mulher opte por utilizá-lo, deve escolher versões neutras, suaves e sem fragrâncias, aplicando apenas na vulva. O uso de sabonetes comuns também é permitido, desde que sejam suaves e não causem alergias.
Mitos e verdades da saúde íntima
- Tomar duchas vaginais deixa a região mais limpa? Mito. A ducha na parte interna remove a microbiota protetora da vagina e aumenta o risco de proliferação de bactérias nocivas e fungos.
- Calcinhas de algodão são as mais indicadas? Verdade. Tecidos naturais permitem a ventilação adequada da região, evitando o acúmulo excessivo de umidade.
- Perfumes e géis íntimos são recomendados? Mito. Produtos com fragrâncias artificiais e sprays podem desencadear reações alérgicas severas, ardência e camuflar odores causados por infecções que exigem tratamento médico.
- Trocar absorventes regularmente durante a menstruação é essencial? Verdade. A recomendação médica é realizar a troca de três a quatro vezes ao dia, variando conforme a intensidade do fluxo.
Quando procurar um ginecologista?
A Dra. Ana Paula lembra que secreções transparentes ou esbranquiçadas, sem odor forte ou dor, fazem parte do funcionamento normal do organismo. Além disso, o cheiro natural da vulva oscila ao longo do ciclo menstrual e após treinos ou relações sexuais.
Contudo, sintomas como coceira persistente, ardência ao urinar, feridas na mucosa, dor durante o sexo ou corrimentos com cheiro inteso e alteração de cor (como amarelado ou esverdeado) exigem consulta e avaliação ginecológica especializada.
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