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Por que a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) deve mudar de nome?

Cientistas propõem mudar o nome da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) para refletir melhor sua natureza metabólica. O termo atual é criticado por focar apenas nos ovários e ignorar riscos

Por que a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) deve mudar de nome?
Airton Guimes da Silva
  • Publishedmaio 14, 2026

Especialistas defendem que o nome atual foca em um sintoma secundário e ignora a complexa desordem metabólica e hormonal por trás da condição

Por Carlos Eduardo Barra Couri/Veja – Publicado em 14/05/2026 às 09:45– Foto – Thinkstock/VEJA/VEJA)

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), uma condição que atinge mais de 170 milhões de mulheres ao redor do mundo, está no centro de um debate científico global. O motivo? O nome atual é considerado inadequado, impreciso e, muitas vezes, uma barreira para o diagnóstico correto e o tratamento eficaz.

A proposta de rebatizar a doença ganha força entre pesquisadores que defendem que a SOP é, essencialmente, uma desordem metabólica e endócrina multissistêmica, e não apenas um problema ginecológico localizado nos ovários.

O problema do nome atual

O termo “Ovários Policísticos” sugere que a presença de cistos nos ovários é a característica principal ou obrigatória da doença. No entanto, a ciência moderna revela que:

  1. Nem sempre há cistos: Muitas mulheres diagnosticadas com a síndrome não apresentam os pequenos folículos (frequentemente confundidos com cistos) nos exames de imagem.
  2. Cistos não são a causa: A presença de folículos é um sintoma do desequilíbrio hormonal, e não a causa do problema.
  3. Foco equivocado: O nome atual ignora sintomas graves como a resistência à insulina, o risco aumentado de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e distúrbios de saúde mental.

A Proposta: Síndrome do Excesso de Androgênio

Embora o novo nome ainda não tenha sido oficializado universalmente, uma das principais propostas é Síndrome do Excesso de Androgênio e Disfunção Metabólica.

A mudança visa deixar claro que o motor da doença é o excesso de hormônios masculinos (androgênios) e a forma como o corpo processa o açúcar e a energia.

“O nome atual faz com que muitas pacientes acreditem que o problema se resolve com uma cirurgia ou que o foco é apenas a fertilidade, quando, na verdade, precisamos tratar o metabolismo como um todo”, explicam especialistas.

Impactos da SOP no Organismo

A condição vai muito além do ciclo menstrual irregular. Entre as principais manifestações estão:

  • Hirsutismo: Crescimento de pelos em locais tipicamente masculinos (rosto, peito).
  • Alopecia e Acne: Queda de cabelo e oleosidade excessiva da pele.
  • Resistência à Insulina: Dificuldade em processar a glicose, levando ao ganho de peso.
  • Infertilidade: Dificuldade de ovulação regular.

O que muda para as pacientes?

A expectativa é que um novo nome ajude a desestigmatizar a condição e a direcionar médicos de diferentes especialidades (como endocrinologistas e cardiologistas) para um cuidado integrado.

Além disso, espera-se que a mudança atraia mais investimentos em pesquisa para tratamentos que não foquem apenas na supressão hormonal via anticoncepcionais, mas sim na correção das bases metabólicas da síndrome.