O que acontece com o corpo e a mente durante e depois de um terremoto? Especialistas explicam como acompanhar quem passa por essa emergência
Especialistas detalham as respostas fisiológicas e psicológicas enfrentadas por pessoas atingidas por terremotos. Palpitações, tremores e insônia são reações esperadas ao estresse agudo, mas a persistência dos sintomas pode indicar
Entenda as respostas físicas e emocionais do corpo diante de desastres naturais e saiba a hora certa de buscar apoio especializado.
Por Edwin Caicedo, Em El Tiempo – Publicado em 12/08/2026 – 16:05
Um terremoto ou qualquer outra situação de emergência de grande porte pode não apenas causar sérios danos materiais e colocar em risco a integridade física das pessoas, mas também desencadear uma série de respostas emocionais e fisiológicas. Essas manifestações costumam surgir nos momentos iniciais da crise e podem persistir por dias ou semanas.
Em eventos traumáticos desse tipo, é comum que algumas pessoas apresentem bloqueio mental temporário, dificuldade para processar instruções, desorientação ou memórias intrusivas. Essas reações ocorrem mesmo após o término do abalo e representam mecanismos do organismo para responder a uma ameaça extraordinária.
No aspecto emocional, sentimentos de medo, confusão, tristeza, ansiedade e perda de controle podem se manifestar de formas variadas, dependendo das circunstâncias e da história individual de cada atingido.
Respostas fisiológicas e corporais
O impacto no corpo costuma se traduzir em sintomas claros de estresse agudo:
“Fisiologicamente, o corpo pode reagir com palpitações, tremores, aperto no peito, distúrbios do sono e dificuldade de concentração. É importante entender que essas manifestações, por si só, não significam que a pessoa esteja perdendo o controle ou desenvolvendo imediatamente um transtorno mental, mas sim que podem corresponder a respostas fisiológicas e emocionais a uma situação de emergência”, explica Nathalia Patricia Rey Gómez, professora da Faculdade de Psicologia da Universidade Católica da Colômbia.
Nas primeiras horas ou semanas, choro, angústia e a necessidade constante de reviver o evento fazem parte do processo de assimilação do ocorrido.
Quando buscar ajuda profissional?
A diferença entre uma resposta esperada ao trauma e o desenvolvimento de um quadro clínico está na intensidade, duração e no impacto dos sintomas nas atividades diárias (como comer, dormir, trabalhar e se relacionar).
A atenção especializada deve ser buscada caso persistam sinais de alerta como:
- Estado de alerta e hipervigilância constantes;
- Memórias intrusivas e flashbacks recorrentes;
- Isolamento social e oscilações de humor prolongadas;
- Sentimentos de desesperança e perda de sentido na vida.
Nesses cenários, torna-se essencial diferenciar o estresse inicial de condições como o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) ou a depressão.
Suporte inicial e o Primeiro Socorro Psicológico (PSP)
Quando a emergência resulta em mortes ou perdas de bens, o processo de luto exige acolhimento imediato. Nesses momentos, a prioridade deve ser garantir a segurança física e atender às necessidades básicas das vítimas.
A aplicação do Primeiro Socorro Psicológico (PSP) é recomendada por especialistas para oferecer uma presença segura, escuta empática e conexão com redes de apoio, facilitando o processo de recuperação emocional.
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