Médicos reforçam segurança de vacinas contra covid-19 e gripe durante a gravidez
Mesmo com vacinas eficazes e gratuitas no SUS, baixas coberturas vacinais contra gripe e covid-19 colocam gestantes e recém-nascidos em risco no Brasil. Desinformação e acomodação mantêm os índices abaixo
Acomodação e desinformação mantêm coberturas abaixo das metas do SUS, enquanto doenças respiratórias continuam provocando complicações e mortes em grávidas e recém-nascidos.
Por Tâmara Freire – Repórter da Agência Brasil – Publicado em 01/10/2026 às 15:47
Moradora da capital fluminense, Nataly Saldanha conquistou o título de gestante nota 10 na unidade de saúde onde faz seu pré-natal, no centro do Rio de Janeiro. Às 39 semanas de gestação, ela aguarda a chegada de Noely e se orgulha de manter todas as vacinas em dia. “Sempre tive o hábito de me vacinar. Caso tenha alguma doença circulando, estou imune. Quero garantir que minha bebê fique 100% saudável”, explica.
Contudo, os dados do Ministério da Saúde mostram que muitas grávidas não chegam ao parto protegidas. A cobertura vacinal contra a covid-19 entre gestantes estagnou em 55%, enquanto a imunização contra a influenza atingiu 76% este ano — ambas abaixo da meta oficial de 90%.
A baixa cobertura reflete em dados alarmantes: entre 2023 e agosto de 2026, pelo menos 286 gestantes ou puérperas desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza, resultando em 25 mortes. No mesmo período, a covid-19 provocou 205 casos graves e 21 óbitos no público materno. Somadas, as duas infecções são responsáveis por mais de 50% das mortes por SRAG registradas nessa população em 2026.
Mitos e Segurança das Vacinas
Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo, dois fatores explicam os índices insuficientes: a acomodação em relação à gripe e a desinformação sobre a covid-19. “Prevaleceu o mito de que a vacina contra a covid-19 é experimental, o que é mentira. É uma tecnologia testada, adaptada rapidamente devido ao investimento global e à colaboração científica”, ressalta.
Especialistas ressaltam que as alterações do sistema imunológico e a diminuição da capacidade pulmonar durante a gestação tornam as grávidas mais vulneráveis a complicações graves. A vacinação reduz o risco de internação, parto prematuro e mortalidade fetal. Além disso, transfere anticorpos para o recém-nascido, garantindo proteção contra o vírus nos primeiros meses de vida, antes de o bebê completar a idade mínima para ser imunizado.

Além dos imunizantes contra gripe e covid-19, o Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente no SUS as vacinas contra hepatite B, dT (dupla bacteriana), dTpa (tríplice bacteriana acelular) e VSR (vírus sincicial respiratório), além de febre amarela sob indicação específica.
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