Infarto: quanto tempo esperar após os primeiros sintomas para procurar ajuda?
Sociedade Brasileira de Hemodinâmica alerta para a importância de buscar socorro imediato ao menor sinal de infarto.
Especialista da SBHCI esclarece que sintomas atípicos como queimação, náusea e cansaço desproporcional fazem pacientes adiarem ida ao pronto-socorro, agravando sequelas cardíacas.
Por Redação — Publicado em 14/09/2026 às 16:45
Quando há suspeita de infarto, não se deve esperar para ver se os sintomas passam. A recomendação é procurar atendimento médico imediatamente, especialmente diante de dor, pressão ou desconforto no peito persistente, associado ou não a outros sintomas. O ideal é acionar um serviço de emergência, quando disponível, ou buscar rapidamente um pronto atendimento com capacidade para avaliação cardiovascular.
“O ideal é procurar socorro nos primeiros minutos. No infarto, quanto mais tempo a artéria permanece obstruída, maior é a quantidade de músculo cardíaco que pode ser lesionada. Por isso, diante de sintomas sugestivos, não devemos esperar para ver se eles desaparecem espontaneamente”, alerta a cardiologista intervencionista Dra. Denise Pellegrini, diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI).
O infarto agudo do miocárdio ocorre, na maioria dos casos, quando uma artéria que leva sangue ao coração é obstruída, geralmente pela formação de um coágulo sobre uma placa de gordura. Com a interrupção ou redução importante do fluxo sanguíneo, o músculo cardíaco deixa de receber oxigênio adequadamente e pode começar a sofrer lesões.
Quais são os principais sinais de um infarto?
O sintoma mais conhecido é a dor, pressão ou desconforto no peito, geralmente descrito como aperto, peso ou sensação de compressão no centro do tórax.
Mas o infarto nem sempre se manifesta da mesma maneira. Outros sinais importantes podem incluir:
- dor ou desconforto que se irradia para um ou ambos os braços;
- dor ou desconforto na mandíbula, queixo, pescoço, ombros ou costas;
- desconforto na região do estômago;
- falta de ar;
- suor frio;
- náuseas ou vômitos;
- tontura ou sensação de desmaio;
- cansaço intenso e desproporcional ao esforço;
- mal-estar, inquietação ou ansiedade.
“Um dos grandes problemas é que alguns sintomas são pouco reconhecidos como manifestações cardíacas. A pessoa pode pensar que está com indigestão, estresse, ansiedade ou apenas cansada e acaba postergando a busca por atendimento”, explica Dra. Denise.
Quando é hora de pedir ajuda?
A orientação é não esperar a dor ficar intensa ou insuportável. Diante de sintomas sugestivos de infarto, especialmente quando surgem de forma súbita ou são diferentes do habitual, a avaliação médica deve ser realizada o mais rapidamente possível.
“O tempo para o tratamento de um infarto com uma artéria obstruída é muito importante. Quanto mais cedo o paciente chega a um serviço de emergência, recebe o diagnóstico e, quando indicado, tem a artéria desobstruída, maiores são as chances de limitar o dano ao coração e reduzir complicações. Por isso, não devemos esperar o quadro evoluir para procurar ajuda”, reforça a especialista.
Como o infarto é identificado?
No hospital, a avaliação começa pela história clínica e pelo exame físico. Um dos primeiros exames realizados é o eletrocardiograma (ECG), fundamental para identificar alterações características de determinados tipos de infarto e orientar a estratégia inicial de tratamento.
Também são realizados exames de sangue, especialmente a dosagem de troponina, um marcador de lesão do músculo cardíaco. Dependendo do quadro clínico, podem ser necessários exames adicionais de imagem e avaliação da circulação coronariana.
É importante lembrar que nem todo infarto apresenta alterações típicas no primeiro eletrocardiograma. Por isso, a avaliação médica e, quando necessário, a repetição de exames são fundamentais diante de uma suspeita clínica.

Como o infarto é tratado?
O tratamento depende do tipo de infarto e das características de cada paciente. Nos casos em que existe uma obstrução aguda de uma artéria coronária e há indicação de reperfusão imediata, uma das principais estratégias é a angioplastia coronária, procedimento realizado por cateterismo para identificar e tratar a obstrução, restabelecendo o fluxo sanguíneo, frequentemente com a implantação de um stent.
Medicamentos também fazem parte do tratamento e podem incluir antiagregantes plaquetários, anticoagulantes e outras terapias, conforme o tipo de infarto, as características do paciente e a avaliação da equipe médica.
“A prioridade é restabelecer o fluxo de sangue para o coração o mais rapidamente possível quando há uma artéria obstruída. Cada minuto de atraso pode representar mais músculo cardíaco lesionado. Por isso, o tratamento do infarto começa antes mesmo da chegada ao hospital, com o reconhecimento dos sintomas e a busca rápida por atendimento”, destaca a cardiologista.
Fatores de risco não são os únicos responsáveis
Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo e histórico familiar estão entre os principais fatores associados ao aumento do risco de doença cardiovascular. Ainda assim, a ausência desses fatores conhecidos não significa que uma pessoa esteja livre do risco de sofrer um infarto.
Por isso, sintomas sugestivos não devem ser minimizados apenas porque a pessoa é jovem, pratica atividade física ou não possui diagnóstico prévio de doença cardiovascular.
“O infarto é uma emergência médica em que a informação pode salvar vidas. Reconhecer os sintomas, não minimizar os sinais e procurar ajuda imediatamente são atitudes simples, mas fundamentais. A mensagem é clara: diante da suspeita, não espere”, conclui Dra. Denise Pellegrini.
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