Exames de sangue e fezes são incluídos como novas opções para rastreamento de câncer colorretal
A Sociedade Americana do Câncer atualizou suas diretrizes e incluiu testes de sangue e exames moleculares de fezes feitos em casa como opções de rastreamento para o câncer colorretal. A
Diretrizes atualizadas pela Sociedade Americana do Câncer buscam ampliar acesso e facilitar diagnóstico precoce; colonoscopia segue como o método principal.
Por Andrea Dwyer — The Conversation Brasil — Publicado em 09/06/2026 às 14:45
O avanço na incidência de casos de câncer colorretal entre adultos com menos de 50 anos vem transformando os protocolos globais de saúde pública. Após antecipar, em 2018, a idade recomendada para o início do rastreamento de risco médio de 50 para 45 anos, a Sociedade Americana do Câncer (American Cancer Society) publicou, em maio de 2026, uma atualização em suas diretrizes oficiais. O documento oficial passa a incluir dois novos métodos de triagem que utilizam tecnologia molecular e análises sanguíneas.
As novas recomendações pretendem diversificar as ferramentas médicas disponíveis para democratizar o acesso aos cuidados preventivos. A ampliação de opções permite identificar lesões pré-cancerígenas e tumores em estágios iniciais, aumentando as chances de cura e reduzindo a necessidade de intervenções cirúrgicas invasivas.
Quais são os novos exames incorporados ao protocolo?
O comitê médico adicionou duas metodologias complementares ao portfólio de triagem, embora mantenha os testes tradicionais como as opções de preferência inicial para o rastreamento primário:
- Teste molecular de fezes caseiro: Trata-se de um exame autoadministrável realizado no ambiente doméstico. O teste analisa as amostras biológicas em busca de sangue oculto e de marcadores moleculares específicos que denunciam a presença de células anormais ou pólipos. A recomendação padrão para esta modalidade é que o monitoramento seja repetido a cada três anos.
- Exame de sangue em consultório: Destinado especificamente a pacientes que demonstram forte recusa em se submeter à colonoscopia tradicional ou ao teste de coleta de fezes. Funciona como uma alternativa de adesão para que o paciente não fique totalmente desassistido.
Apesar da inovação, a diretriz enfatiza que os novos exames de sangue possuem uma sensibilidade menor na prevenção ativa do câncer se comparados aos exames visuais diretos. Além disso, as autoridades alertam que, caso qualquer um dos exames de sangue ou de fezes apresente um resultado positivo ou atípico, a realização de uma colonoscopia subsequente será obrigatoriamente necessária para fins de confirmação diagnóstica e biópsia.
Indicações de faixa etária e fatores de risco
As regras gerais de idade permanecem inalteradas. Adultos classificados em risco médio devem iniciar os exames preventivos aos 45 anos de idade, mantendo a rotina de exames contínua até os 75 anos — ou além dessa faixa, conforme avaliação médica individualizada.
No entanto, há uma linha divisória rígida estabelecida pela comunidade oncológica quanto à indicação de exames:
| Perfil do Paciente | Método de Rastreamento Recomendado |
| Risco Médio (Sem sintomas) | Pode optar pela escolha entre a colonoscopia, o teste de fezes clássico ou os novos exames moleculares e de sangue. |
| Risco Alto (Histórico familiar, síndromes genéticas ou hereditárias) | A colonoscopia é o único exame recomendado, sendo proibida a substituição por testes alternativos. |
| Pacientes com Sintomas Ativos | A colonoscopia é obrigatória, independentemente da idade do indivíduo. |
Sinais de alerta e prevenção pelo estilo de vida
Como o câncer de cólon frequentemente se desenvolve de forma silenciosa e assintomática nas fases iniciais, os médicos reforçam a importância do rastreamento preventivo. Contudo, o surgimento de sinais como sangue visível nas fezes, alterações abruptas e persistentes nos hábitos intestinais, dores abdominais recorrentes ou perda de peso inexplicável superior a 4,5 kg exige investigação imediata.
Para além do rastreamento clínico, a adoção de hábitos de vida saudáveis atua como um escudo preventivo primário. Especialistas recomendam a prática diária de no mínimo 30 minutos de atividades físicas, a manutenção de uma dieta balanceada rica em fibras, frutas e vegetais, e a redução drástica no consumo de carnes processadas e embutidos. Controlar a ingestão de bebidas alcoólicas e abolir o tabagismo, incluindo o uso de cigarros eletrônicos (vapes), são medidas determinantes para mitigar o risco de mutações colorretais.
Leia mais 📲https://revistasaudeemforma.com.br/