EUA aprovam novo remédio para Parkinson com menor risco de comportamentos compulsivos
A FDA aprovou nos EUA o tavapadon (Juvmo), novo medicamento diário para o tratamento da doença de Parkinson. O fármaco destaca-se por sua ação seletiva nos receptores de dopamina D1
Administrado em dose única diária, o tavapadon (Juvmo) atua de forma seletiva nos receptores de dopamina, reduzindo o risco de vícios e impulsividade comuns a outros medicamentos da classe.
Por Laiz Menezes (Folhapress) – Publicado em 02/10/2026 às 16:56
A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, aprovou um novo tratamento para a doença de Parkinson. O fármaco tavapadon, comercializado sob o nome Juvmo e administrado via oral uma vez ao dia, chegou ao mercado americano com a promessa de controlar os sintomas motores e oferecer maior margem de segurança contra efeitos colaterais comportamentais graves.
Fabricado pela farmacêutica AbbVie, o medicamento ainda não possui previsão de lançamento ou submissão de registro na Anvisa para os pacientes brasileiros. A doença neurodegenerativa afeta mais de 11 milhões de pessoas no mundo — sendo mais de 500 mil no Brasil — e caracteriza-se pela perda progressiva dos neurônios produtores de dopamina, desencadeando tremores, rigidez e instabilidade postural.

Ação Seletiva e Segurança no Controle de Impulsos
Ao contrário de outros agonistas dopaminérgicos tradicionais — como o pramipexol e a rotigotina, que ativam prioritariamente os receptores D2 e D3 —, o tavapadon age seletivamente sobre os receptores D1 e D5. Essa especificidade farmacológica é o grande diferencial do novo remédio.
Segundo o neurologista Felipe Sampaio Saba, especialista em distúrbios do movimento do Hospital Israelita Albert Einstein, os agonistas convencionais podem desencadear a desregulação do controle de impulsos, levando a comportamentos compulsivos, como o vício em jogos de azar, compras irrestritas, hipersexualidade e compulsão alimentar.
“O tavapadon veio exatamente para estimular o grupo de receptores de dopamina em que isso não acontece. Estimular os receptores D1 e D5 diminui muito isso, então a gente tem uma segurança maior”, explica o médico.
A aprovação no órgão americano baseou-se em três ensaios clínicos de Fase 3, que demonstraram eficácia no alívio dos sintomas em fases iniciais ou avançadas da doença (associado à levodopa). Efeitos adversos comuns incluíram náuseas, tontura e cefaleia. Especialistas ressaltam, contudo, a necessidade de estudos comparativos diretos entre o tavapadon e as terapias já consolidadas no mercado.
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