Entenda por que o estresse e o excesso de cortisol impedem o cérebro de desacelerar na hora de dormir
Insônia crônica está ligada ao cortisol elevado e à hiperativação do sistema nervoso. Entenda o que dizem as pesquisas e veja como quebrar o ciclo do estresse.
Estudos científicos revelam que a dificuldade contínua para dormir não é apenas falta de descanso, mas um estado constante de alerta biológico do organismo
Por Gessika Julia Carvalho / Tua Saúde — Publicado em 31/07/2026 às 15:44 – Foto: ChatGPT IA
A dificuldade para pegar no sono ou a rotina de acordar várias vezes durante a madrugada nem sempre é consequência apenas de estresses do dia a dia. A insônia crônica está diretamente associada à hiperativação do sistema nervoso e à desregulação do cortisol, o hormônio do estresse que, em condições normais, deveria ter sua produção reduzida no período noturno.
Esse desequilíbrio metabólico e neurológico mantém o cérebro em estado de hiperexcitação no momento em que o corpo deveria desacelerar, criando um ciclo contínuo de cansaço e alerta.
O papel do sistema nervoso e do ritmo circadiano
O sono reparador depende da alternância harmoniosa entre o sistema nervoso simpático (que aciona o estado de alerta) e o parassimpático (responsável pelo relaxamento corporal). À noite, o organismo desacelera o ritmo cardíaco, reduz a frequência respiratória e eleva a melatonina para favorecer o adormecer.
Quando o sistema simpático fica continuamente ativado por ansiedade ou hábitos inadequados, ocorrem pensamentos acelerados e tensão muscular, impedindo a transição para as fases mais profundas do sono.
Paralelamente, o cortisol — que costuma atingir seu pico de manhã para fornecer energia e cair gradativamente ao longo do dia — passa a se manter elevado à noite. A alteração resulta em despertares noturnos frequentes e fadiga crônica ao acordar.

O que comprovam as pesquisas científicas
A relação entre a insônia e o desequilíbrio hormonal é documentada pela ciência. O estudo “Chronic Insomnia Is Associated with Nyctohemeral Activation of the Hypothalamic-Pituitary-Adrenal Axis”, publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism (indexado no PubMed), demonstrou que a insônia crônica provoca o aumento global da secreção de ACTH e cortisol durante as 24 horas do dia.
A pesquisa concluiu que o quadro não é mera consequência da privação de sono, mas sim um reflexo da hiperativação do sistema nervoso central. Com base nessas evidências, a Associação Brasileira do Sono e especialistas reforçam que o tratamento eficaz exige estratégias para reduzir a resposta biológica ao estresse, e não apenas aumentar as horas passadas na cama.
Como interromper o ciclo do estresse e da insônia
A primeira linha de tratamento recomendada por médicos envolve a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) e a adoção rigorosa da higiene do sono:
- Rotina de horários: Manter horários fixos para deitar e acordar, inclusive nos fins de semana, ajustando o relógio biológico;
- Uso de telas: Evitar telas de celulares e computadores nas duas horas anteriores ao sono;
- Estimulantes: Reduzir o consumo de cafeína e bebidas energéticas após o meio-dia;
- Ambiente e relaxamento: Praticar técnicas de respiração diafragmática e manter o quarto escuro e silencioso.
Aviso Médico: Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento realizado por profissionais de saúde qualificados, como médicos do sono, psiquiatras ou psicólogos.
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