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Psicologia

Dia Mundial da Fotografia: saiba identificar quando o hábito de tirar fotos indica ansiedade

No Dia Mundial da Fotografia, psiquiatra e psicoterapeuta analisa como a necessidade constante de registrar momentos no celular pode indicar tentativa de controle e busca por alívio da ansiedade. Por

Dia Mundial da Fotografia: saiba identificar quando o hábito de tirar fotos indica ansiedade
Airton Guimes da Silva
  • Publishedagosto 18, 2026

No Dia Mundial da Fotografia, psiquiatra e psicoterapeuta analisa como a necessidade constante de registrar momentos no celular pode indicar tentativa de controle e busca por alívio da ansiedade.

Por Redação – Publicado em 18/08/2026 – 15:47

No Dia Mundial da Fotografia, comemorado em 19 de agosto, a relação diária com as câmeras dos smartphones ganha uma análise sob a ótica da saúde mental. Em um cenário em que as galerias dos celulares acumulam desde viagens e festas até documentos, prints de telas e produtos para compra futura, a prática de registrar tudo se tornou automática.

De acordo com a psiquiatra, psicoterapeuta e fotógrafa Renata Covre, da Hapvida, mais importante do que contabilizar o volume de fotos é compreender a função que o registro desempenha na rotina do indivíduo.

“Fotografar, por si só, não é um problema. Hoje a câmera do celular também funciona como uma espécie de memória auxiliar. O que começa a chamar atenção é quando deixa de ser uma escolha e vira quase uma necessidade”, explica a médica.

Fotografar para lembrar ou para aliviar a ansiedade?

A especialista destaca que realizar dezenas ou centenas de imagens não representa um transtorno, especialmente para quem utiliza a fotografia como ferramenta de trabalho ou hobby. No entanto, o alerta surge quando a impossibilidade de registrar um momento gera desconforto, insegurança ou a sensação de que algo ruim pode acontecer.

Segundo Renata Covre, o smartphone pode acelerar um ciclo de dependência emocional por oferecer uma resposta imediata à busca por certeza e controle:

“Se eu fotografo porque quero guardar uma lembrança, é algo. Se eu fotografo para aliviar uma ansiedade, pensando ‘se eu não registrar, algo de ruim pode acontecer’, já existe uma função diferente.”

O ato de registrar traz um alívio momentâneo, mas pode condicionar o cérebro a repetir o comportamento compulsivo sempre que surgir uma nova dúvida ou insegurança.

O paradoxo do presente e o acúmulo digital

Outro ponto levantado pela psiquiatra é a interferência do hábito na formação de memórias reais. Durante eventos ou celebrações, a preocupação excessiva em enquadrar, gravar e checar os arquivos faz com que a atenção se desvie da experiência vivida.

Para consolidar uma memória, é fundamental estar presente. A preocupação exagerada em registrar o futuro pode reduzir drasticamente a atenção ao momento atual, impedindo a absorção de sensações não visuais, como conversas, aromas e sentimentos.

Além disso, a era digital trouxe o paradoxo do acúmulo: nunca se fotografou tanto, mas poucas imagens são revisitadas. Para tornar essa relação mais saudável, a recomendação é agir de forma intencional, organizando álbuns, selecionando fotos para impressão ou compartilhando registros com amigos e familiares, transformando o arquivo digital em uma pista real para a reconstrução de histórias.

Quando a fotografia indica a necessidade de ajuda profissional

Fotografar em grande quantidade não diagnostica, por si só, um quadro de ansiedade. O sinal de alerta está na presença de sofrimento, prejuízo na rotina e perda da liberdade de escolha entre tirar a foto ou simplesmente vivenciar a cena.

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Psiquiatra e psicoterapeuta Renata Covre: “Especialista explica os limites entre a escolha de registrar e a necessidade compulsiva.”

A médica orienta a busca por suporte profissional caso o indivíduo perceba que:

  • Fica excessivamente angustiado quando não consegue registrar ou checar um momento;
  • Gasta tempo demasiado organizando, conferindo ou tirando fotos, gerando atrasos e conflitos;
  • Utiliza o ato de fotografar repetidamente para aliviar um estado de ansiedade.

“A fotografia nos oferece inúmeras ferramentas para diminuir pequenas incertezas do cotidiano. Só que nem sempre precisar ter certeza de tudo nos deixa menos ansiosos. Às vezes, pode justamente nos treinar a tolerar cada vez menos a possibilidade de esquecer, perder ou simplesmente não ter tudo registrado”, pontua a médica.

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