Depressão Masculina: Psicólogo Revela Como o Peso da Masculinidade Faz Homens Sofrerem em Silêncio
Expectativas tradicionais desde a infância, medo de demonstrar vulnerabilidade e sintomas atípicos — como irritabilidade e consumo de álcool — dificultam a busca por apoio e o diagnóstico precoce. Por
Expectativas tradicionais desde a infância, medo de demonstrar vulnerabilidade e sintomas atípicos — como irritabilidade e consumo de álcool — dificultam a busca por apoio e o diagnóstico precoce.
Por Gabriel Ferreira — Publicado em 16/10/2026 17:07 – Foto: Divulgação
A depressão entre os homens no Brasil continua a enfrentar sérias barreiras de diagnóstico e adesão ao tratamento psicológico. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), a proporção de homens que relataram diagnóstico formal de depressão subiu de 7,6% em 2013 para 10,2% em 2019, refletindo um avanço numérico que, ainda assim, oculta uma grande parcela de indivíduos não diagnosticados.
Segundo o psicólogo Guilherme dos Anjos Lemos, as construções sociais da masculinidade tradicional ajudam a explicar por que muitos homens enfrentam o sofrimento de forma isolada. Desde a infância, meninos costumam ser educados sob a premissa de que devem resolver seus problemas sozinhos, controlar emoções e repelir qualquer demonstração de vulnerabilidade.
“A ideia de que pedir ajuda é um sinal de fraqueza acaba transformando o silêncio em uma barreira para o cuidado com a saúde mental”, pondera o especialista.
Sintomas Atípicos e Sobrecarga nas Relações
Outro obstáculo reside na identificação dos sinais clínicos. No público masculino, o sofrimento psíquico nem sempre se manifesta por meio da tristeza verbalizada ou do choro involuntário. Em muitos casos, a depressão surge mascarada por irritabilidade constante, agressividade, isolamento social e comportamentos de risco, como o abuso de bebidas alcoólicas.
A falta de um letramento emocional faz com que a responsabilidade de notar o sofrimento seja frequentemente transferida para mães ou companheiras, sobrecarregando os relacionamentos familiares e aprofundando a solidão do indivíduo.
Para o psicólogo, aprender a nomear sentimentos, exercitar a escuta sem julgamentos e buscar apoio profissional são passos decisivos para quebrar o ciclo de isolamento e garantir o bem-estar psicológico.
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