Álcool eleva risco de demência mesmo em baixas doses, aponta estudo
Pesquisa internacional com mais de 559 mil participantes utiliza análise genética para demonstrar que qualquer quantidade de álcool eleva o risco de demência, desafiando a teoria do consumo moderado. Da
Pesquisa internacional com mais de 559 mil participantes utiliza análise genética para demonstrar que qualquer quantidade de álcool eleva o risco de demência, desafiando a teoria do consumo moderado.
Da IstoÉ Saúde e Agência Einstein — Publicado em 28/10/2026 – 15:56 Foto: Freepik
Um estudo de grande relevância publicado no periódico científico BMJ derrubou a crença popular de que o consumo moderado de bebidas alcoólicas traria algum tipo de proteção ao cérebro. A pesquisa combinou dados observacionais e análises genéticas de mais de 559 mil pessoas, com idades entre 56 e 72 anos, e concluiu que o consumo de álcool, mesmo em pequenas quantidades, eleva progressivamente o risco de demência.
O trabalho utilizou dados de dois grandes repositórios internacionais — o Million Veteran Program (EUA) e o UK Biobank (Reino Unido) — e empregou uma metodologia genética inovadora para examinar a predisposição ao alcoolismo e às patologias neurodegenerativas, superando as limitações de estudos puramente observacionais do passado.
Fim da teoria da curva em “U”
Os resultados da análise estabelecem uma associação linear inequívoca: quanto maior a propensão ao consumo problemático de álcool, maior o risco de desenvolver demência. O estudo contradiz diretamente a antiga teoria da curva em “U”, que sugeria que abstêmios e grandes bebedores estariam em maior risco, enquanto o consumo moderado teria um efeito protetor.
Os dados apontam que um aumento de duas vezes na probabilidade de alcoolismo correlacionou-se a uma elevação de 16% no risco de distúrbios neurodegenerativos.
Ação tóxica no sistema nervoso central
Especialistas reforçam que a substância possui reconhecida toxicidade para o tecido cerebral. O neurologista Augusto Penalva de Oliveira, do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que o estudo evidencia a importância da vulnerabilidade individual, observando que indivíduos com predisposição genética apresentaram risco amplificado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reitera enfaticamente que não existe um nível de ingestão alcoólica seguro para a saúde humana. O órgão vincula o consumo da substância a mais de 200 patologias, ressaltando que o impacto varia conforme a frequência, a quantidade ingerida, o perfil de saúde e o contexto social.
Fonte consultada: IstoÉ Saúde / Agência Einstein / Periódico BMJ
Saiba mais 📲https://revistasaudeemforma.com.br/