Congo enfrenta pior surto de ebola de sua história com infraestrutura frágil e falta de tratamento específico
Causada pela espécie Bundibugyo, a epidemia já registra 4.945 casos confirmados e avança rapidamente devido à falta de vacinas aprovadas e gargalos na saúde pública. Por Akanksha Khushi, Ayen Deng
Causada pela espécie Bundibugyo, a epidemia já registra 4.945 casos confirmados e avança rapidamente devido à falta de vacinas aprovadas e gargalos na saúde pública.
Por Akanksha Khushi, Ayen Deng Bior e Clement Bonnerot / Reuters – Publicado em 17/08/2026 – 15:00 – Foto: REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere
O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) alcançou a marca de 2.325 mortos, segundo dados oficiais divulgados pelo governo. O número supera as 2.299 mortes registradas no surto de 2018-2020, tornando esta a epidemia mais fatal da história do país.
De acordo com o Instituto de Saúde Pública do Congo, o total de casos confirmados subiu para 4.945, com 101 novos diagnósticos em apenas 24 horas. Declarado em 15 de maio, este 17º surto no país é superado globalmente apenas pela grande epidemia da África Ocidental (2014-2016), na qual mais de 11 mil pessoas morreram. A velocidade de propagação impressiona: a barreira de 2 mil mortes foi atingida em menos de três meses.
Espécie Bundibugyo e ausência de vacinas
Diferentemente de episódios anteriores, o surto atual é causado pela espécie Bundibugyo do vírus, para a qual não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados. A resposta sanitária é prejudicada pela infraestrutura hospitalar fragilizada, resistência em comunidades locais e instabilidade na região.
A taxa de letalidade subiu de 20% em junho para 46%, o que indica que quase metade dos infectados confirmados vai a óbito.
“Normalmente, à medida que um surto progride, a taxa de letalidade deveria cair. Em vez disso, ainda vemos muitos casos detectados muito tarde, quando o tratamento tem menos probabilidade de sucesso, e muitos são identificados apenas depois de morrerem na comunidade”, alertou Thomas Parisch, especialista em saúde pública dos Médicos Sem Fronteiras.
Transmissão e situação regional
O vírus ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas (vivas ou mortas), provocando sintomas como febre, vômitos, diarreia e hemorragias graves.
O surto chegou a ultrapassar a fronteira para a vizinha Uganda, mas as autoridades locais contiveram a disseminação registrando apenas 20 casos e 2 mortes antes de declararem o fim da transmissão em seu território. Atualmente, terapias e vacinas experimentais estão sendo avaliadas por autoridades de saúde globais para o combate ao vírus.
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