O que realmente significa ‘ganhar a vida’? Mario Sergio Cortella propõe reflexão
Em reflexão sobre a expressão "ganhar a vida", o filósofo Mario Sergio Cortella questiona se estamos apenas buscando o sustento financeiro ou dando significado à nossa existência. Para ele, ter
Filósofo analisa o duplo sentido da expressão e convida a pensar sobre propósito, tempo e as escolhas do cotidiano.
Por Maria Clara Pinheiro (Bons Fluidos) – Publicado em 14/08/2026 – 15:58
A expressão “ganhar a vida” costuma ser associada automaticamente ao trabalho e ao sustento financeiro. Contudo, em uma de suas palestras, o filósofo e educador Mario Sergio Cortella utiliza o duplo sentido da frase para propor uma reflexão mais profunda sobre como cada indivíduo utiliza o seu tempo e constrói o próprio propósito.
“Como é que você ganha a vida? Qual que é o seu jeito de ganhar a vida?”, provocou o filósofo durante sua fala.
Sustento material versus propósito pessoal
Para Cortella, é perfeitamente legítimo encarar a profissão como meio de obter estabilidade financeira e construir patrimônio. As necessidades materiais fazem parte da existência humana e não devem ser vistas de forma negativa. A provocação surge quando a atividade profissional ganha um contorno que vai além da remuneração.
De acordo com o pensador, o trabalho pode se transformar em uma extensão de significado pessoal quando impacta positivamente a vida de outras pessoas:
- Contribuição social: “Há pessoas que ganham a vida cuidando de vida. Há pessoas que ganham a vida encantando a vida”;
- Significado ampliado: Nesses casos, o indivíduo “ganha a vida” tanto no sentido financeiro quanto no sentido existencial, de forma muito mais densa.
O risco de desperdiçar o tempo
A segunda dimensão da reflexão de Cortella diz respeito ao perigo de viver no piloto automático, deixando que a rotina consuma a energia pessoal com questões superficiais. O filósofo questiona o que cada um tem feito para evitar que a própria história seja demolida pela futilidade.
“Uma pessoa que ganha a vida, ou seja, que não a perde, não a desperdiça, não faz com que ela se esvaia, é uma pessoa marcada por uma grande decisão”, resume o palestrante.
A mensagem central deixada por Cortella é a de que encontrar sentido na trajetória diária é uma escolha consciente. Definir prioridades e direcionar o tempo para o que realmente importa é o caminho para garantir que a vida não seja apenas sustentada, mas plenamente vivida.
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