Fraudes, desperdícios e sobreutilização impactam a sustentabilidade da saúde suplementar mais que medicamentos
Estudo da Interfarma revela que fraudes, desperdícios e sobreutilização consomem até R$ 75 bilhões na saúde suplementar por ano, superando em até duas vezes os gastos com medicamentos de alto
Levantamento da Interfarma mostra que ineficiências e fraudes consomem até duas vezes mais recursos que remédios de alto impacto, apontando caminhos para a sustentabilidade do setor.
Por Redação – Publicado em 12/08/2026 – 15:16
Enquanto os gastos anuais das operadoras de saúde com medicamentos de alto impacto clínico são estimados entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões, fraudes, desvios, sobreutilização, redundâncias e baixa resolutividade assistencial consumiram cerca de R$ 52,5 bilhões em 2024, podendo atingir até R$ 75 bilhões.
Os dados constam no estudo “Saúde Suplementar em Transição: Acesso à Inovação e Valor Assistencial”, lançado nesta segunda-feira (10) pela Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa), em parceria com a L.E.K. Consulting, durante evento em Brasília. O levantamento indica que essas ineficiências consumiram entre 1,5 e 2 vezes mais recursos do que os medicamentos.
Na análise por beneficiário, de um gasto médio anual entre R$ 6 mil e R$ 7 mil, aproximadamente R$ 600 a R$ 700 foram destinados a medicamentos, enquanto as ineficiências representaram de R$ 1.050 a R$ 1.500 por pessoa.
“Embora os custos dos medicamentos sejam frequentemente apontados como um dos principais fatores de pressão sobre a saúde suplementar, os dados mostram que fraudes, desperdícios e sobreutilização consomem mais recursos, sem gerar os benefícios em saúde que os medicamentos oferecem à saúde populacional. A discussão sobre sustentabilidade precisa olhar para onde estão as maiores ineficiências estruturais do sistema”, afirma Renato Porto, presidente-executivo da Interfarma.
Gargalos na incorporação de inovações
O estudo aponta que a inovação farmacêutica respondeu por cerca de 60% do aumento da expectativa de vida nas últimas décadas. No entanto, o setor enfrenta gargalos no acesso a novas tecnologias. Houve uma desaceleração no ritmo de inclusão de novos medicamentos no Rol da ANS: a média caiu de 18,5 incorporações anuais em 2019/2020 para apenas 7 medicamentos por ano entre 2021 e 2024.
Além disso, após recomendações da Conitec, apenas 25% das avaliações pela ANS resultaram em novas inclusões no Rol. O modelo atual também mantém o foco predominantemente no ambiente hospitalar, impondo barreiras a terapias domiciliares, medicamentos orais para doenças raras e tratamentos crônicos.
“O desafio é desenvolver mecanismos de avaliação que consigam considerar não apenas o custo imediato, mas também o valor assistencial, os benefícios gerados para o sistema ao longo do tempo e colocar na balança o custo de não tratar”, pontua Helaine Capucho, diretora de Acesso da Interfarma.
Propostas para o setor
Diante do envelhecimento populacional e do aumento da demanda por cuidados, a Interfarma apresentou recomendações essenciais para assegurar a sustentabilidade do sistema:
- Fortalecimento da coordenação do cuidado e ampliação da fiscalização assistencial;
- Incentivo a modelos de remuneração baseados no valor gerado ao paciente;
- Aprimoramento dos processos regulatórios e de incorporação tecnológica pela ANS;
- Garantia de cumprimento de dispositivos legais para o acesso a tratamentos previstos em lei.
A íntegra do relatório está disponível no portal oficial da Interfarma.
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