Remédio para apneia do sono: pílula experimental atua na garganta e promete alternativa ao CPAP
Conheça o AD109, remédio em comprimido que estimula os músculos da garganta e reduz em até 55% as pausas respiratórias em testes contra a apneia do sono.
Pílula experimental de uso diário estimula a musculatura da garganta durante o sono e inaugura uma nova estratégia terapêutica contra um dos distúrbios respiratórios mais comuns
Por Veja Saúde — Publicado em 29/07/2026 às 16:42
Um novo medicamento oral experimental desenvolvido para tratar a apneia obstrutiva do sono promete transformar a abordagem terapêutica de um dos distúrbios respiratórios mais frequentes na população. Identificada pela sigla AD109, a droga desenvolvida pela farmacêutica Apnimed atua por meio de uma estratégia inédita: estimular diretamente a musculatura da garganta e da língua para impedir o colapso das vias aéreas durante o repouso noturno.
A proposta de uma solução em comprimido representa um avanço importante em relação aos tratamentos tradicionais, baseados principalmente no uso contínuo de aparelhos como o CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) e placas de avanço mandibular, que costumam registrar altas taxas de abandono por desconforto.
Mecanismo de ação neuromuscular
Ao contrário do CPAP — que atua desobstruindo a passagem de ar de forma mecânica por meio do fluxo gerado por uma máscara —, o novo comprimido atua na causa neuromuscular do problema.
A fórmula reúne a combinação de duas substâncias ativas:
- Atomoxetina: originalmente utilizada no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);
- Aroxibutinina: um agente antimuscarínico.
A combinação estimula os neurônios motores responsáveis pela manutenção do tônus da musculatura da faringe durante o sono. Ao garantir que os tecidos moles da garganta permaneçam firmes, o remédio impede que a via aérea colapse e cause as interrupções de oxigênio conhecidas como apneias e hipopneias.
Resultados promissores nos estudos de Fase 3
A eficácia do tratamento foi atestada nos ensaios clínicos avançados do programa de desenvolvimento (LunAIRo e SynAIRgy), cujos dados revelaram reduções expressivas na severidade do quadro:
- Diminuição das pausas respiratórias: O estudo LunAIRo apontou uma redução média de 46,8% no Índice de Apneia e Hipopneia (IAH) — parâmetro médico que quantifica as paradas respiratórias por hora. Já no estudo SynAIRgy, a redução média chegou a 55%;
- Normalização do quadro: Cerca de 23% dos voluntários atingiram um IAH abaixo de 5 eventos por hora, atingindo a faixa de normalidade;
- Melhora da oxigenação: Mais de metade dos pacientes participantes registrou avanços nos índices de oxigênio no sangue durante a noite;
- Efeitos colaterais: Os sintomas mais relatados pelos voluntários foram boca seca, náuseas e desconforto urinário.
O remédio substitui o uso do CPAP?
De acordo com especialistas da medicina do sono, a medicação não tem como objetivo extinguir o uso do CPAP, que permanece como a conduta de escolha (“padrão-ouro”) para quadros graves ou que tenham causas anatômicas acentuadas, como desvio severo de septo, queixo retraído ou hipertrofia das amígdalas.
No entanto, o fármaco é visto como uma alternativa para os pacientes que não conseguem se adaptar ao equipamento de ar comprimido, oferecendo uma nova opção de tratamento para a perda do tônus muscular. A medicação segue no fluxo de avaliação e validação de dados clínicos junto aos órgãos reguladores para obtenção do registro sanitário.
Leia mais 📲https://revistasaudeemforma.com.br/