Remédio para apneia do sono: pílula experimental atua na garganta e promete alternativa ao CPAP

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Pílula experimental de uso diário estimula a musculatura da garganta durante o sono e inaugura uma nova estratégia terapêutica contra um dos distúrbios respiratórios mais comuns

Por Veja Saúde — Publicado em 29/07/2026 às 16:42

Um novo medicamento oral experimental desenvolvido para tratar a apneia obstrutiva do sono promete transformar a abordagem terapêutica de um dos distúrbios respiratórios mais frequentes na população. Identificada pela sigla AD109, a droga desenvolvida pela farmacêutica Apnimed atua por meio de uma estratégia inédita: estimular diretamente a musculatura da garganta e da língua para impedir o colapso das vias aéreas durante o repouso noturno.

A proposta de uma solução em comprimido representa um avanço importante em relação aos tratamentos tradicionais, baseados principalmente no uso contínuo de aparelhos como o CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) e placas de avanço mandibular, que costumam registrar altas taxas de abandono por desconforto.

Mecanismo de ação neuromuscular

Ao contrário do CPAP — que atua desobstruindo a passagem de ar de forma mecânica por meio do fluxo gerado por uma máscara —, o novo comprimido atua na causa neuromuscular do problema.

A fórmula reúne a combinação de duas substâncias ativas:

A combinação estimula os neurônios motores responsáveis pela manutenção do tônus da musculatura da faringe durante o sono. Ao garantir que os tecidos moles da garganta permaneçam firmes, o remédio impede que a via aérea colapse e cause as interrupções de oxigênio conhecidas como apneias e hipopneias.

Resultados promissores nos estudos de Fase 3

A eficácia do tratamento foi atestada nos ensaios clínicos avançados do programa de desenvolvimento (LunAIRo e SynAIRgy), cujos dados revelaram reduções expressivas na severidade do quadro:

O remédio substitui o uso do CPAP?

De acordo com especialistas da medicina do sono, a medicação não tem como objetivo extinguir o uso do CPAP, que permanece como a conduta de escolha (“padrão-ouro”) para quadros graves ou que tenham causas anatômicas acentuadas, como desvio severo de septo, queixo retraído ou hipertrofia das amígdalas.

No entanto, o fármaco é visto como uma alternativa para os pacientes que não conseguem se adaptar ao equipamento de ar comprimido, oferecendo uma nova opção de tratamento para a perda do tônus muscular. A medicação segue no fluxo de avaliação e validação de dados clínicos junto aos órgãos reguladores para obtenção do registro sanitário.

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