É normal sentir dor durante a colocação do DIU? Veja o que mostram novos dados médicos
Novos estudos médicos avaliam a percepção da dor durante a colocação do DIU, confirmando que o desconforto é real e varia entre moderado e intenso. A matéria detalha os gatilhos
Estudos recentes jogam luz sobre a percepção da dor durante o procedimento contraceptivo e reforçam a importância de protocolos de alívio e humanização.
Por Maurício Brum – Publicado em 04/07/2026 11:10
A colocação do Dispositivo Intrauterino (DIU) é amplamente reconhecida como um dos métodos contraceptivos mais eficazes e seguros do mundo. No entanto, o receio da dor durante o procedimento cirúrgico ambulatorial ainda afasta muitas mulheres dessa opção. Novos dados científicos e pesquisas clínicas recentes vêm reavaliando a intensidade dessa experiência dolorosa, apontando que, embora um desconforto agudo seja clinicamente esperado, o nível de dor varia drasticamente e não deve ser minimizado pelos profissionais de saúde.
Os novos levantamentos estatísticos indicam que a maioria das pacientes relata algum nível de dor — classificada de moderada a intensa — no momento exato da inserção do dispositivo através do colo do útero.
O Que Causa o Desconforto no Procedimento?
Para compreender a dor física associada ao DIU, é preciso entender as etapas técnicas do procedimento ginecológico. O processo envolve a utilização de um espéculo para visualização, a pinçagem do colo uterino com um instrumento chamado Pozzi (para alinhar o canal) e a medição da cavidade uterina com a histerometria.
O pico da dor costuma ocorrer em dois momentos específicos:
- A passagem pelo canal cervical: O colo do útero precisa ser sutilmente transposto pelo aplicador do DIU;
- A expansão do dispositivo: A abertura dos braços do DIU dentro do útero causa uma contração imediata do miométrio (músculo uterino), gerando uma cólica forte e aguda.
Os dados reforçam que mulheres que nunca passaram por um parto vaginal (nulíparas) ou que possuem o canal cervical mais estreito tendem a relatar escores de dor ligeiramente mais elevados na comparação com aquelas que já deram à luz por vias naturais.
Protocolos de Alívio e Humanização
Diante das novas evidências que validam o relato das pacientes, sociedades de ginecologia ao redor do mundo têm atualizado suas diretrizes para recomendar protocolos de manejo prévio da dor. Especialistas apontam que o uso isolado de anti-inflamatórios orais minutos antes da inserção oferece um alívio limitado para a dor aguda da pinçagem e da passagem cervical.
Como alternativa para um atendimento mais humanizado, médicos têm adotado o uso de anestesia local — como o bloqueio paracervical ou a aplicação de géis anestésicos de lidocaína no colo do útero. O uso de técnicas de relaxamento e o agendamento do procedimento durante o período menstrual (quando o colo uterino está naturalmente mais pérvio e relaxado) também surgem como estratégias eficazes para mitigar o sofrimento e garantir o bem-estar físico da paciente.
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