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Junho Vermelho: onco-hematologista reforça a importância da doação de sangue para pacientes oncológicos

No mês do Junho Vermelho, a matéria detalha a importância vital da doação de plaquetas por aférese para pacientes em tratamento de leucemia. O texto explica o papel das plaquetas

Junho Vermelho: onco-hematologista reforça a importância da doação de sangue para pacientes oncológicos
Airton Guimes da Silva
  • Publishedjunho 16, 2026

Essenciais para a coagulação, as plaquetas evitam sangramentos graves e interrupções nos ciclos de quimioterapia. Especialista explica como funciona o procedimento de aférese e lista os requisitos para os voluntários.

Da Redação – Publicado em 16/06/2026 às 11:17 – Foto: Maginific

A campanha Junho Vermelho ganha as ruas neste mês para conscientizar a população sobre um tema de extrema relevância na saúde pública: a leucemia. Considerada um tipo raro de câncer que afeta os tecidos formadores de sangue no corpo, a doença exige cuidados específicos, diagnóstico precoce e tratamentos intensivos. No entanto, um elo crucial para a sobrevivência e recuperação desses pacientes muitas vezes passa despercebido pelo público geral: a dependência vital do setor de oncologia em relação às doações de sangue e, em especial, de plaquetas.

Seja para pacientes que enfrentam sessões agressivas de quimioterapia ou para aqueles que passaram por um transplante de medula óssea, a transfusão de componentes sanguíneos é rotina. Na leucemia, a neoplasia atinge diretamente os leucócitos (os glóbulos brancos responsáveis pela defesa do organismo).

“Na medula óssea são produzidos os glóbulos brancos, vermelhos (hemácias) e plaquetas. Quando há uma mutação genética, essa produção é afetada, resultando em leucócitos cancerosos que sufocam as células saudáveis”, contextualiza a onco-hematologista Mariana Oliveira, da Oncoclínicas.

O Papel Crítico das Plaquetas no Combate ao Câncer

As plaquetas são fragmentos celulares que exercem a função de coagulação no organismo, atuando como um “tampão” natural para conter e prevenir sangramentos. Quando um paciente é submetido à quimioterapia, o tratamento atinge não apenas as células tumorais, mas também reduz drasticamente a produção de células saudáveis na medula óssea (toxicidade hematológica).

A queda acentuada na contagem de plaquetas gera o aparecimento de hematomas espontâneos e hemorragias perigosas. Mais do que isso, a falta crônica desse componente obriga os médicos a adiarem ou suspenderem temporariamente os ciclos de quimioterapia, prejudicando o cronograma de combate ao câncer.

O procedimento de coleta de plaquetas é conhecido como aférese. O voluntário realiza uma doação de sangue tradicional, mas o líquido passa por um equipamento automatizado que retém apenas uma parcela das plaquetas. Os demais componentes — como as hemácias e o plasma — retornam imediatamente para o corpo do doador. “Esse processo é totalmente seguro. O organismo do doador consegue repor rapidamente as plaquetas coletadas, em uma média de até 48 horas”, tranquiliza a médica Mariana Oliveira.

Quem Pode Doar e o Cenário Estatístico

De acordo com as projeções oficiais do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 12.220 novos casos de leucemia a cada ano do triênio de 2026 a 2028, sendo 6.540 ocorrências em homens e 5.680 em mulheres. Excluindo os tumores de pele não melanoma, a leucemia figura como o décimo tipo de câncer mais frequente no país.

Para ajudar a abastecer os hemocentros e fazer a diferença na vida desses pacientes, os interessados em doar plaquetas precisam cumprir alguns pré-requisitos básicos estabelecidos pelas diretrizes de saúde:

  • Idade e Peso: Ter idade entre 18 e 69 anos e peso corporal acima de 50 kg;
  • Estado de Saúde: Estar em boas condições gerais de saúde e bem alimentado no dia (evitando o consumo de refeições gordurosas nas horas anteriores);
  • Restrição de Medicamentos: Não ter feito uso recente de ácido acetilsalicílico (AAS), aspirinas ou medicamentos anti-inflamatórios;
  • Impedimentos Temporários: Estar livre de sintomas gripais, febre ou diarreia. Pessoas que ingeriram bebidas alcoólicas nas últimas 24 horas, gestantes e mulheres em período de até três meses pós-parto devem aguardar para realizar a doação.

Entendendo os Tipos de Leucemia e os Avanços Médicos

O desenho do tratamento da leucemia varia substancialmente conforme o tipo celular afetado e a velocidade de evolução da doença. Elas são divididas clinicamente em duas grandes categorias:

  1. Leucemias Agudas: Caracterizam-se pela multiplicação acelerada e desordenada de células mutadas, sendo o diagnóstico mais comum na infância. Exigem internação hospitalar imediata, exames complexos de classificação da medula e início rápido de protocolos quimioterápicos.
  2. Leucemias Crônicas: Apresentam um desenvolvimento lento e gradual, acometendo em sua maioria indivíduos adultos. Muitas vezes, o paciente convive com a doença por longos anos sem grandes intercorrências, gerenciando a condição por meio de consultas ambulatoriais de rotina e terapias medicamentosas orais.

A medicina oncológica tem apresentado saltos científicos animadores. A onco-hematologista destaca a consolidação da terapia com células CAR-T (CAR-T Cell Therapy), técnica revolucionária em que os linfócitos T do próprio paciente são coletados, reprogramados geneticamente em laboratório para reconhecer e destruir especificamente os alvos tumorais, e depois reinjetados no organismo.

Atualmente, as taxas de cura da leucemia são consideradas altas, superando a marca de 90% em casos infantis e atingindo até 50% em pacientes adultos com até 60 anos. O segredo para o sucesso terapêutico permanece na agilidade do diagnóstico precoce associado ao suporte transfusional contínuo garantido pelos doadores de sangue voluntários.

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