Mais brincadeiras ao ar livre entre 2 e 4 anos reduzem problemas de saúde mental na infância, diz estudo
Estudo inédito da Universidade de Exeter com 4 mil crianças aponta que brincar ao ar livre entre os 2 e 4 anos reduz as chances de problemas emocionais e comportamentais
Pesquisa pioneira acompanhou mais de 4 mil crianças e revelou que o contato frequente com a natureza e espaços abertos previne sintomas de ansiedade, depressão e agressividade.
Por O GLOBO — Publicado em 08/06/2026 às 14:04 – Foto: Unsplash
Uma nova pesquisa liderada pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, revelou que crianças em idade pré-escolar — de dois a quatro anos — que passam mais tempo brincando ao ar livre têm significativamente menos probabilidade de desenvolver dificuldades emocionais e comportamentais mais tarde na infância. O estudo inovador foi publicado no prestigiado periódico científico Journal of Child Psychology and Psychiatry.
Embora a literatura médica já fizesse associações pontuais entre o contato com a natureza e o bem-estar infantil, este é o primeiro estudo longitudinal a explorar o impacto dessas atividades nos primeiros anos de vida ao longo do tempo. Os dados mostram que o hábito atua como um fator de proteção crucial, garantindo que os indicadores de problemas psicológicos permaneçam baixos até a infância intermediária, por volta dos oito anos.
O impacto em sintomas de ansiedade, depressão e hiperatividade
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram minuciosamente o banco de dados da coorte Growing Up in Scotland, que acompanha o desenvolvimento de mais de 4 mil crianças. Os cientistas examinaram os sintomas de saúde mental dos participantes em quatro etapas cronológicas diferentes: aos quatro, cinco, seis e oito anos de idade.
A análise dividiu os problemas em duas frentes: sintomas internalizantes, que englobam quadros de ansiedade e depressão, e sintomas externalizantes, manifestados por meio de comportamentos problemáticos como agressividade, impulsividade e hiperatividade. De acordo com os resultados, cada dia adicional da semana que a criança passa brincando em ambientes externos durante a fase pré-escolar eleva entre 6% e 14% as chances de ela manter um perfil psicológico plenamente saudável até os oito anos.
Espaços públicos e o desafio do planejamento urbano
Diante do impacto positivo e do custo zero da prática, os autores do estudo defendem que o incentivo às brincadeiras ao ar livre deve ser encarado de forma séria pelas autoridades. A recomendação é que o tema seja integrado de maneira urgente às políticas de saúde pública, diretrizes de educação infantil e planos de desenvolvimento e estruturação urbana.
Os cientistas reforçam a necessidade de investimentos consistentes para a construção e manutenção de parquinhos, praças e áreas verdes nas cidades. Esses espaços públicos e informais perto de casa tornam-se ainda mais vitais para famílias de baixa renda ou que residem em áreas densamente urbanizadas, onde as moradias frequentemente não contam com quintais ou jardins privados.
Leia mais 📲https://revistasaudeemforma.com.br/