Entidades Médicas Criticam Decisão da Fifa de Proibir Garrafas Reutilizáveis na Copa de 2026 em Meio a Ondas de Calor
Fifa altera regulamento de segurança e proíbe a entrada de garrafas reutilizáveis nos estádios da Copa do Mundo de 2026. Entidades médicas alertam para o risco de mortes por desidratação
Especialistas em saúde e clima afirmam que medida de segurança para evitar arremesso de objetos pode disparar casos de desidratação e exaustão extrema sob forte calor na América do Norte.
Por O GLOBO – Publicado em 05/06/2026 – 14:49
A Fifa oficializou a proibição da entrada de qualquer tipo de garrafa reutilizável de água em todos os estádios da Copa do Mundo de 2026, sediada de forma conjunta por Estados Unidos, México e Canadá. A mudança drástica, comunicada aos torcedores detentores de ingressos por e-mail após uma atualização repentina no Código de Conduta dos Estádios, ocorre a poucos dias da abertura do torneio (marcada para 11 de junho) e gerou forte reação negativa de médicos, cientistas e associações de torcedores devido às severas ondas de calor previstas para o período.
Recuo de Orientação Anterior e Justificativa de Segurança
A nova determinação representa uma reviravolta completa nas diretrizes estabelecidas pela própria entidade máxima do futebol semanas atrás. No documento original de orientação, a Fifa havia liberado explicitamente a entrada de garrafas plásticas vazias, transparentes e reutilizáveis com capacidade de até 1 litro.
Com a atualização da cláusula 3.1.11 do regimento interno, nenhum tipo de garrafa, copo, pote, lata ou recipiente fechado poderá passar pelas catracas. A justificativa oficial da Fifa é de caráter estrito de segurança pública, visando impedir que os objetos sejam utilizados como projéteis arremessados em direção ao gramado ou contra outras pessoas nas arquibancadas.
“Após atualizações recentes no Código de Conduta dos Estádios, convidamos você a revisar a lista revisada de regras sobre itens proibidos. Em particular, observe que garrafas de água reutilizáveis não são mais permitidas nos estádios da Copa do Mundo da Fifa 2026. Para que não restem dúvidas, garrafas de água reutilizáveis não poderão ser levadas para o Estádio”, destacou o comunicado da entidade.
Alto Custo Financeiro e Riscos de Desidratação Crítica
A proibição gerou alertas imediatos sobre os impactos financeiros e biológicos para os espectadores. Estima-se que os preços das garrafas de água comercializadas internamente pelas concessionárias oficiais dos estádios fiquem entre US$ 4 e US$ 7 (aproximadamente R$ 20 a R$ 35) nos Estados Unidos e alcancem até US$ 7,50 (cerca de R$ 40) nas sedes canadenses de Toronto e Vancouver.
Paralelamente ao fator econômico, a principal preocupação reside nos termômetros: em diversas cidades do sul norte-americano e do norte mexicano, as temperaturas durante os dias de jogos devem oscilar rotineiramente entre 30°C e 35°C, com picos severos que podem atingir a marca de 40°C.
Alertas Médicos e Riscos Clínicos Coletivos
- Gatilho de Sintomas: O calor extremo associado à falta de hidratação contínua causa tonturas, náuseas e episódios de desmaio repentino.
- Evolução de Quadros: A falta de reposição hídrica faz com que a exaustão térmica evolua rapidamente para intercorrências de insolação grave.
- Barreiras de Logística Interna: Longas filas em quiosques de alimentação desestimulam os torcedores a deixarem seus assentos, gerando longos períodos de exposição direta ao sol sem consumo de líquidos.
- Fator Letalidade: Especialistas alertam que o estresse térmico em ambientes superlotados pode culminar em fatalidades em grupos vulneráveis.
Cientistas Cobram Protocolos de Proteção Climática
O descontentamento da comunidade científica com a gestão de saúde da Fifa vem se acumulando. Recentemente, um comitê composto por 20 cientistas de renome internacional nas áreas de saúde pública, climatologia e medicina esportiva encaminhou uma carta aberta à diretoria da federação cobrando medidas robustas de proteção.
O grupo exige a ampliação do tempo das pausas oficiais para hidratação durante o primeiro e segundo tempo das partidas, além de uma definição transparente e objetiva dos protocolos para adiamento ou reprogramação de jogos sob condições de calor extremo.
O médico Malcolm Mistry, professor assistente de Clima e Saúde da prestigiada Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e um dos signatários da carta, classificou o veto às garrafas como um erro crítico de avaliação. “Os espectadores no meio do estádio assistindo a uma partida não vão sair e entrar numa fila por água em um quiosque ou bebedouro. Eles ficarão em seus assentos por cerca de três horas, no calor. A Fifa está assumindo um grande risco”, concluiu o especialista.
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