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Psicologia

Vício em games: estudo da Unesp mostra que tempo de tela sozinho não indica dependência

Um estudo da Unesp Bauru revelou que o tempo de tela, por si só, não determina se um indivíduo sofre de vício em games. Avaliando cerca de 300 voluntários brasileiros,

Vício em games: estudo da Unesp mostra que tempo de tela sozinho não indica dependência
Airton Guimes da Silva
  • Publishedjulho 15, 2026

Por Carolina Fioratti, para o Jornal da Unesp – Publicado em 15/07/2026 11:21 – Foto: Getty Images/Veja Saúde)

Pesquisa realizada com cerca de 300 brasileiros mapeia fatores como impulsividade e comportamentos sociais para explicar o Transtorno do Jogo, desmistificando o foco exclusivo nas horas de jogo.

Uma pesquisa recente desenvolvida por pesquisadores da Unesp Bauru trouxe novos elementos para o debate sobre o uso de videogames e a saúde mental. O estudo, que avaliou o perfil de 290 voluntários brasileiros, constatou que a quantidade de horas diárias ou semanais que uma pessoa passa em frente às telas não é, isoladamente, um indicador suficiente para diagnosticar a dependência ou o chamado Transtorno do Jogo — condição psiquiátrica reconhecida formalmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com o psicólogo comportamental Alexandre Cintra, autor da pesquisa e mestre em Neurociências e Comportamento pela USP, o diagnóstico do transtorno exige uma avaliação muito mais complexa e multifatorial. É preciso analisar aspectos como a tendência do indivíduo à impulsividade, o comprometimento de suas relações sociais, familiares e profissionais, e a incapacidade de controlar o hábito mesmo quando ele gera prejuízos claros ao cotidiano.

O papel da impulsividade e a busca por recompensas imediatas

Para compreender as engrenagens psicológicas por trás do vício, o estudo aplicou testes voltados a avaliar como os jogadores tomam decisões relacionadas a recompensas imediatas ou futuras. Os participantes precisaram escolher entre receber um benefício menor na hora ou esperar um período para obter uma recompensa consideravelmente maior.

O experimento foi feito utilizando dois cenários: valores em dinheiro e tempo de jogo. O resultado revelou uma diferença marcante de comportamento. Quando a escolha envolvia créditos ou tempo para jogar videogame, os participantes agiram com muito mais impulsividade do que quando o teste envolvia dinheiro. Aqueles que relataram jogar mais de 17 horas semanais apresentaram os maiores índices de impulsividade nessa tomada de decisão rápida.

O que diferencia o hobby saudável do transtorno?

Segundo os dados da pesquisa, 63,1% dos entrevistados afirmaram jogar diariamente, tendo o computador como plataforma favorita (63,1%) e o gênero RPG como o predileto (30%). O tempo de duração de cada sessão variou de rápidos 12 minutos até sessões contínuas de 10 horas. No entanto, os pesquisadores reforçam que longas jornadas de entretenimento não representam necessariamente um comportamento patológico.

A dependência real caracteriza-se quando o indivíduo perde completamente o controle sobre o início, a frequência e o término das sessões de jogo, passando a negligenciar necessidades básicas (como o sono e a alimentação), estudos, trabalho e o convívio social. O tratamento indicado pelos especialistas em casos diagnosticados envolve acompanhamento psicoterápico focado em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e, em certas ocasiões, suporte psiquiátrico para controle da impulsividade.

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