Desenvolvido com tecnologia de mRNA, o imunizante sob medida intismeran autogene ensina o sistema imunológico a atacar células tumorais específicas e prolonga o tempo de sobrevida livre de doença.
Por Poliana Casemiro – Publicado em 19/08/2026 – 14:05
Resultados preliminares do ensaio clínico de fase final de uma vacina experimental personalizada contra o melanoma — tipo mais agressivo de câncer de pele — demonstraram redução significativa no risco de a doença voltar ou se espalhar após a cirurgia. O relatório preliminar foi divulgado pelas farmacêuticas Moderna e Merck nesta quarta-feira (19 de agosto de 2026).
O tratamento testou o imunizante experimental, denominado intismeran autogene, em combinação com o Keytruda (pembrolizumabe), medicamento imunoterápico que já é referência no tratamento do melanoma.
Como funciona a vacina personalizada de mRNA
Ao contrário das vacinas tradicionais voltadas para a prevenção de infecções, a intismeran é produzida de forma customizada para tratar tumores já existentes com base nas mutações genéticas de cada paciente:
- Sequenciamento genético: Uma amostra do tumor é analisada para mapear a “impressão digital” das mutações do paciente.
- Produção do mRNA: É criada uma molécula de mRNA capaz de codificar até 34 alvos (neoantígenos) exclusivos daquele tumor.
- Resposta imune: A vacina ensina o sistema imunológico a reconhecer e destruir as células tumorais.
- Ação conjunta: O Keytruda bloqueia a proteína PD-1 (usada pelos tumores para se esconder), permitindo que os linfócitos T ataquem com força total o alvo apontado pela vacina.
Resultados preliminares e expansão das pesquisas
O estudo incluiu 1.137 pacientes submetidos à remoção cirúrgica do tumor e com risco de recidiva. A análise interina apontou que a combinação vacina + Keytruda ofereceu maior sobrevida sem recorrência e menor incidência de metástase à distância do que o uso isolado do imunoterápico.
“A boa notícia é que sim, estamos avançando em termos de novos conhecimentos. Agora, fato é que transformar isso numa prática disseminada e institucionalizada vai depender de muitos aspectos que não estão ainda disponíveis para avaliar”, avalia o oncologista Stephen Stefani, lembrando que os dados finais e taxas percentuais ainda precisam ser publicados em literatura científica.
A mesma plataforma tecnológica de mRNA, originalmente utilizada na vacina da Covid-19, já está sendo testada através do programa INTerpath para outros tipos de câncer, como os de pulmão, bexiga, rim, pâncreas e estômago.
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