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Psicologia

Traumas de infância podem alterar o sistema imune e gerar doenças físicas na vida adulta

No livro "A Biologia do Trauma", a médica Aimie Apigian explica como traumas emocionais da infância causam alterações fisiológicas e afetam a saúde em nível celular. A obra detalha como

Traumas de infância podem alterar o sistema imune e gerar doenças físicas na vida adulta
Airton Guimes da Silva
  • Publishedoutubro 2, 2026

Obra da médica Aimie Apigian cruza experimentos científicos e casos clínicos para explicar como experiências dolorosas precoces desregulam o sistema imune e alimentam doenças físicas.

Por Larissa Beani – Publicado em 02/10/2026 às 15:25 – Fotos: Flavio Demarchi/Veja Saúde

Novas pesquisas na área da medicina e da neurociência vêm demonstrando que o trauma emocional sofrido na infância não se limita ao campo da saúde mental. No livro A Biologia do Trauma (Editora Sextante), a médica americana Aimie Apigian investiga como experiências dolorosas precoces — como negligência, abuso ou estresse crônico — causam transformações fisiológicas profundas que chegam à escala celular e mitocôndrial.

Ao combinar estudos científicos com a rotina de atendimento de seus pacientes, a autora detalha as vias pelas quais o estresse continuado na infância desregula os sistemas nervoso, digestivo e imunológico. Essas alterações biológicas deixam o organismo em um estado contínuo de alerta e sob inflamação crônica, favorecendo o envelhecimento celular precoce e o surgimento de patologias físicas ao longo da vida adulta.

Doenças e Repercussões Físicas do Trauma

Segundo o alerta de especialistas e os achados reunidos no livro, adultos que passaram por experiências adversas graves durante o desenvolvimento apresentam maior predisposição a desenvolver condições médicas complexas:

  • Infecções Oportunistas: Quedas na vigilância imunológica abrem brechas para a reativação de vírus latentes, como o do herpes.
  • Distúrbios Autoimunes: A desregulação do sistema de defesa pode desencadear ou agravar doenças autoimunes em pessoas com predisposição genética.
  • Doenças Cerebrais e Inflamação: O estresse fisiológico contínuo eleva marcadores inflamatórios no cérebro, associando-se ao aumento do risco de depressão, ansiedade e declínio cognitivo.
  • Disfunções Mitocôndriais: O trauma afeta a capacidade das mitocôndrias — usinas de energia da célula —, reduzindo a resiliência física e metabólica geral do corpo.

Para Aimie Apigian, o reconhecimento dessa assinatura biológica é o primeiro passo para que a medicina adote abordagens terapêuticas mais integradas, combinando cuidados emocionais e intervenções físicas para minimizar os impactos do estresse na saúde de toda a família.

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