Mais comum na adolescência e associado ao espectro do TOC, a dermatilomania leva ao impulso incontrolável de cutucar a pele, resultando em feridas e cicatrizes; saiba como tratar.
Por Luísa Knaak – Publicado em 29/09/2026 às 17:14
O hábito repetitivo e compulsivo de cutucar, coçar ou escoriar a própria pele até provocar feridas vai além de um simples vício de comportamento. Trata-se do transtorno de escoriação (também conhecido pelo termo médico dermatilomania), uma condição psiquiátrica caracterizada pelo impulso incontrolável de manipular pequenas imperfeições — como espinhas, cravos, picadas de insetos ou casquinhas de cicatrizes.
Embora possa surgir em qualquer fase da vida, a condição é especialmente comum no início da adolescência, período marcado por alterações hormonais, surgimento de acne e maior vulnerabilidade emocional e social.
Origens, impacto na saúde e caminhos de tratamento
O transtorno de escoriação está classificado no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) no grupo dos transtornos obsessivo-compulsivos (TOC) e correlatos. A etiologia da doença é multifatorial, combinando predisposição genética a gatilhos psíquicos como ansiedade, estresse crônico, tédio e sobrecarga emocional. Para muitos indivíduos, o ato de manipular a pele funciona como um mecanismo disfuncional para aliviar sentimentos desconfortáveis ou tensão acumulada.
As consequências vão além das marcas estéticas e podem provocar sérias complicações médicas e psicológicas:
- Complicações físicas: surgimento de feridas abertas, risco elevado de infecções bacterianas secundárias, manchas escuras e cicatrizes permanentes.
- Prejuízos emocionais: sentimentos de culpa, vergonha, isolamento social e prejuízo no desempenho acadêmico ou profissional.
O tratamento eficaz do transtorno de escoriação exige uma abordagem multiprofissional. No âmbito da saúde mental, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) — com foco em estratégias de Reversão de Hábitos — é a mais recomendada para ajudar o paciente a reconhecer os gatilhos emocionais e substituir o comportamento compulsivo. Quando necessário, psiquiatras podem prescrever medicamentos como inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). Paralelamente, o acompanhamento dermatológico é essencial para tratar as lesões ativas, prevenir infecções e suavizar cicatrizes existentes.
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