Transtorno de Borderline tem origem genética, aponta o maior estudo já feito sobre a condição

Publicado na renomada revista Nature Genetics, mapeamento identificou 11 regiões no DNA associadas ao transtorno e revelou forte sobreposição com depressão, TDAH e estresse pós-traumático.

Por Redação g1 – Publicado em 21/07/2026 – 16:42 – Foto: Freepik

O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) — também conhecido como Transtorno de Personalidade Limítrofe — conta agora com as primeiras evidências genéticas sólidas de sua origem biológica. O maior estudo genômico já conduzido sobre a condição, publicado na prestigiada revista científica Nature Genetics, revelou que o transtorno não está atrelado exclusivamente a traumas e fatores ambientais do indivíduo, como se supunha historicamente na psiquiatria.

A condição, caracterizada pela instabilidade emocional severa, impulsividade, medo acentuado do abandono e oscilações nos relacionamentos interpessoais, atinge até 2% da população em países ocidentais. As mulheres apresentam uma probabilidade cerca de três vezes maior de receber o diagnóstico em relação aos homens.

Mapeamento do DNA e genes funcionais

Para compreender a arquitetura biológica do transtorno, cientistas analisaram e cruzaram dados de 27 levantamentos internacionais prévios. A metodologia realizou uma varredura minuciosa no genoma comparando grupos de controle e pacientes com a condição:

Os pesquisadores concluíram que as variantes genéticas identificadas respondem por aproximadamente 17% do risco hereditário para o desenvolvimento do transtorno — uma fatia biológica altamente expressiva.

Borderline está ligado também à fatores genéticos — Foto: G1

Conexão com TEPT, TDAH e limitações do diagnóstico

O estudo demonstrou uma importante sobreposição genética entre o TPB e outras condições psiquiátricas. As alterações no DNA também surgiram correlacionadas com a depressão maior, o comportamento antissocial e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). No entanto, a correlação mais robusta ocorreu com o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), sugerindo um elo biológico entre o impacto de vivências traumáticas e a desestruturação da identidade.

Apesar da conquista científica para diagnósticos futuros e compreensão da doença, os autores ressaltam prudência: o achado não significa a criação de testes genéticos imediatos para diagnosticar o TPB nas clínicas. A genética representa apenas uma fração do risco e não substitui a avaliação clínica detalhada nem o impacto dos fatores ambientais no desenvolvimento do indivíduo.

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