Em Itu (SP), a organização Natureza Conecta utiliza cães, cavalos e outros animais resgatados para promover a autorregulação e a reconstrução emocional de jovens que viveram histórico de abandono e violência.
Por Redação — Publicado em 10/09/2026 às 11:06
Crianças e adolescentes em acolhimento institucional no Estado de São Paulo têm encontrado na Terapia Assistida por Animais (TAA) uma importante aliada para superar históricos de negligência, abandono e violência. O trabalho, desenvolvido pela organização social Natureza Conecta em sua fazenda terapêutica em Itu (SP), aplica a interação humano-animal de forma estruturada para auxiliar na reconstrução da confiança, da empatia e dos laços afetivos — fatores essenciais durante o processo de adoção.
Diferente de atividades recreativas comuns, os encontros contam com uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos e médicos-veterinários. A rotina envolve o convívio guiado com animais resgatados, como cães, cavalos, vacas, bois, cabras, porcos e até aves.
A Mídia e a Mediação do Luto
O contato com os animais atua como um mediador concreto para que sentimentos complexos e memórias dolorosas venham à tona:
- Desenvolvimento socioemocional: Aprender a interpretar os sinais, respeitar os limites físicos do animal e assumir responsabilidades cotidianas de cuidado desenvolve a percepção de previsibilidade e segurança nas crianças.
- Processamento de perdas profundas: Em um dos atendimentos, a perda de um galo resgatado na fazenda permitiu que um menino de sete anos — que havia testemunhado o assassinato do próprio pai — expressasse seus questionamentos e sentimentos sobre a morte e a impotência, abrindo espaço para a elaboração do luto antes de sua adoção definitiva.
- Aconchego sem julgamento: Segundo a equipe técnica, a ausência de julgamento por parte dos animais facilita a aproximação de jovens reticentes, que costumam apresentar medo de rejeição ou forte necessidade de controle.

Panorama da Adoção no Brasil
De acordo com dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), atualmente cerca de 37 mil crianças e adolescentes vivem em abrigos pelo país, sendo que cerca de 6 mil estão disponíveis para adoção para um universo de mais de 32 mil pretendentes habilitados.
Para os especialistas, a discrepância entre o número de interessados e de crianças adotadas evidencia que a principal barreira não é apenas burocrática, mas socioemocional: a urgência em tratar as sequelas psicológicas causadas por rupturas para que os novos vínculos familiares sejam duradouros e saudáveis.
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