Tabagismo é maior entre jovens de 16 a 24 anos, alerta pesquisa
Pesquisa do A.C.Camargo indica que 19% dos jovens de 16 a 24 anos são fumantes no Brasil, superando a média nacional. Estudo revela que 84% dos fumantes mantêm outros hábitos
Estudo do A.C.Camargo e Nexus aponta que 19% da população de 16 a 24 anos consome cigarro comum ou eletrônico; grupo também acumula comportamentos de risco como sedentarismo.
Por Matheus Crobelatti (Agência Brasil) — Publicado em 26/08/2026 16:23
Um levantamento inédito realizado pelo A.C.Camargo Câncer Center em parceria com a empresa Nexus revelou que a incidência do tabagismo no Brasil é maior entre jovens de 16 a 24 anos do que em qualquer outra faixa etária. Nesse grupo, 19% dos entrevistados se declaram fumantes ativos (considerando cigarros convencionais e eletrônicos), superando a média nacional de 17%.
A pesquisa ouviu mais de 2 mil pessoas em todas as regiões do país e trouxe um alerta sobre a vulnerabilidade dos adolescentes. Segundo o médico Helano Freitas, líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo, a média de idade do primeiro contato com o cigarro ocorre aos 16 anos, elevando o risco de dependência precoce e crônica.
Faixas etárias, perfis e hábitos associados
O estudo traçou o perfil do consumo de tabaco e a relação direta com a rotina de saúde dos brasileiros:
- Índice por faixa etária: Jovens de 16 a 24 anos (19%), 41 a 59 anos (17%), idosos acima de 60 anos (16%) e adultos de 25 a 40 anos (15%).
- Ex-fumantes: A população com mais de 60 anos lidera o grupo de quem conseguiu parar de fumar (32%).
- Fatores socioeconômicos: O consumo é mais elevado entre quem recebe até um salário mínimo (19%) e entre pessoas com ensino fundamental incompleto ou completo (21%).
- Distribuição regional: O Sul lidera o consumo no país (22%), seguido pelo Sudeste (19%), Nordeste (13%) e Norte/Centro-Oeste (13%).
Múltiplos riscos e percepção de saúde
A pesquisa também expôs a associação do cigarro com outros comportamentos nocivos: 84% dos fumantes relataram manter até quatro hábitos prejudiciais à saúde, destacando-se o sedentarismo e o consumo excessivo de produtos ultraprocessados e frituras. Por outro lado, o ato de parar de fumar demonstrou impulsionar uma reestruturação geral do estilo de vida.
Outro ponto alarmante é o risco da exposição passiva: 33% dos brasileiros dividem ambientes domésticos ou de trabalho com fumantes, inalando substâncias tóxicas. Além disso, 63% dos fumantes classificam a própria saúde como “boa” ou “ótima”, evidenciando uma distorção na percepção sobre os impactos do fumo a longo prazo.
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