SUS substitui insulina tradicional por versão de ação prolongada e dose única diária; saiba quem tem direito

Incorporação da insulina glargina no sistema público melhora a estabilidade da glicose, reduz episódios de hipoglicemia e simplifica a rotina de pacientes com diabetes.

Por Maurício Brum – Publicado em 14/07/2026 16:18

O Sistema Único de Saúde (SUS) deu início ao processo de substituição da insulina “tradicional” de ação intermediária (NPH) pela insulina glargina, um análogo de insulina de ação prolongada. A principal vantagem da mudança é a comodidade e a eficácia terapêutica: a nova versão exige apenas uma aplicação ao dia, enquanto o tratamento anterior costuma demandar duas ou mais injeções diárias para manter o controle glicêmico adequado.

A insulina glargina apresenta um perfil de liberação mais lento e linear no organismo, sem os chamados “picos de ação” comuns na insulina NPH. Essa característica reduz de forma significativa as oscilações bruscas da taxa de açúcar no sangue ao longo do dia e, principalmente, diminui os episódios de hipoglicemia — condição perigosa em que os níveis de glicose caem drasticamente, muito comum durante o período noturno.

Quem tem direito ao novo medicamento pelo SUS?

A distribuição da insulina glargina na rede pública segue critérios e protocolos clínicos específicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, não sendo direcionada a todos os pacientes diabéticos de forma irrestrita. Têm direito ao tratamento de ação prolongada:

Para ter acesso ao medicamento nas farmácias de alto custo ou unidades de saúde referenciadas, o paciente deve apresentar um relatório médico detalhado emitido pelo endocrinologista ou clínico responsável pelo acompanhamento, justificando a necessidade da troca, além do receituário atualizado e dos exames de sangue recentes que comprovem a refratariedade ao tratamento antigo.

Benefícios práticos na rotina dos pacientes

A substituição representa um marco importante na qualidade de vida dos usuários do sistema público. Além de diminuir o número de picadas diárias, a estabilidade promovida pela insulina de longa duração garante maior previsibilidade na rotina alimentar e de exercícios, reduzindo o medo das crises de hipoglicemia e as internações de emergência decorrentes do mau controle da doença.

O Ministério da Saúde orienta que os pacientes que utilizam a insulina NPH procurem suas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de referência para passar por avaliação médica e verificar se cumprem os requisitos para a transição segura para a insulina glargina.

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