Dormir mais de nove horas por noite eleva o risco de demência em 28%; neurologista explica que passar muito tempo na cama não garante descanso e indica falhas na qualidade do sono.
Por Lauryn Amaral e Khauan Wood — CNN Brasil – Publicado em 02/07/2026 14:09
Aquela sensação de que “dormir até mais tarde” é o melhor remédio para o cansaço pode, na verdade, esconder problemas de saúde complexos. Uma meta-análise publicada pela York University na revista científica Plos One revelou que pessoas que dormem mais de oito ou nove horas por noite apresentam um risco 28% maior de desenvolver demência. O dado acende o alerta: passar tempo demais na cama não é sinônimo de um organismo saudável.
Além do risco de longo prazo associado ao declínio cognitivo, o sono excessivo gera impactos imediatos no cotidiano, como lentidão no raciocínio, fadiga mental e dores pelo corpo. De acordo com a comunidade médica, a necessidade prolongada de sono pode ser um sintoma clínico para distúrbios subjacentes, incluindo depressão, apneia obstrutiva do sono, doenças neurodegenerativas e problemas cardiovasculares.
Quantidade Não Significa Qualidade
Em entrevista ao Jornal da USP, o professor de Neurologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), Alan Eckeli, explicou que focar apenas no número de horas no relógio é um erro comum. Quantidade e qualidade do sono são esferas totalmente diferentes.
“Aspectos como despertares frequentes durante a noite, dificuldade para atingir fases profundas do sono e a sensação de cansaço ao acordar também interferem na recuperação do organismo e na saúde cerebral. Por isso, passar mais tempo na cama não significa, necessariamente, obter os benefícios esperados do sono”, esclarece o docente.
Eckeli pontua que o corpo dá sinais claros de que as noites não estão sendo reparadoras. O cidadão deve ligar o sinal de alerta caso apresente:
- Sonolência e cansaço excessivo durante o dia;
- Cochilos involuntários na rotina de trabalho ou estudo;
- Dificuldade persistente de manter a atenção e o foco;
- Lapsos de memória e perda de concentração;
- Irritabilidade constante e mudanças bruscas de humor.
Afinal, Qual é a Faixa de Sono Ideal?
Os extremos são os grandes vilões do descanso. Dados científicos consolidados mostram que indivíduos que dormem menos de 6 horas ou mais de 9 horas por noite registram as piores taxas de saúde e maior incidência de problemas no coração.
O intervalo considerado perfeito e seguro pela medicina fica entre 7 e 8 horas de sono por noite. É nessa janela que o cérebro consegue realizar a limpeza de toxinas de forma eficiente e o sistema cardiovascular se estabiliza.
Para blindar o cérebro contra o envelhecimento precoce, o neurologista lembra que a higiene do sono deve ser associada a outros pilares diários, como o combate ao sedentarismo através de exercícios físicos regulares e a manutenção de uma dieta balanceada.
Leia mais 📲https://revistasaudeemforma.com.br
