Secretaria de Saúde de SP investiga novo caso suspeito de ebola

A paciente de 31 anos desembarcou no país após viagem de trabalho e apresentou febre e diarreia. Ela foi transferida em regime de isolamento para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência nacional para a doença, onde passa por exames laboratoriais conduzidos pelo Instituto Adolfo Lutz.

Por Elaine Patricia Cruz – Publicado em 10/06/2026 15:36 – Foto:  Pablo Jacob/Governo de SP

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em atuação conjunta com o Centro de Vigilância Epidemiológica Professor Alexandre Vranjac, iniciou um protocolo de investigação epidemiológica para apurar um novo caso suspeito de ebola no território paulista. A paciente monitorada pelas autoridades de saúde é uma cidadã brasileira de 31 anos que retornou recentemente de uma viagem de trabalho na província de Kivu do Norte, região situada no leste da República Democrática do Congo. O país africano enfrenta atualmente um surto ativo da enfermidade, cenário classificado pela Organização Mundial da Saúde como uma emergência sanitária de importância internacional.

O histórico clínico aponta que a profissional desembarcou no Brasil no dia 6 de junho. Três dias após o retorno, ela começou a manifestar sintomas característicos, incluindo episódios de febre e diarreia, o que a levou a buscar atendimento médico em uma unidade da rede de saúde particular. Diante do relato de viagem a uma zona endêmica, a paciente foi transferida com urgência para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, hospital que funciona como referência para o manejo de patologias de alta transmissibilidade.

De acordo com o boletim emitido pela pasta da Saúde, o quadro clínico geral da paciente é considerado estável. Ela permanece internada em um leito de isolamento rigoroso, respeitando todas as normas e exigências de biossegurança estipuladas para a contenção de agentes biológicos perigosos. Como parte do diagnóstico diferencial padrão para viajantes procedentes do continente áfrico, os médicos realizaram um teste rápido para malária, cujo resultado apontou negativo. As amostras biológicas coletadas para a pesquisa do vírus ebola estão sob análise minuciosa no Instituto Adolfo Lutz, não havendo, até o fechamento deste informe, uma confirmação laboratorial definitiva.

Histórico de Alertas Sanitários no Estado

Esta notificação representa a segunda suspeita da doença pelo vírus ebola registrada no estado de São Paulo no período recente. O primeiro caso investigado envolveu um cidadão do sexo masculino, de 37 anos, que também possuía histórico de viagem para a República Democrática do Congo.

Após a aplicação dos testes específicos, a presença do vírus foi completamente descartada pelas equipes de laboratório. Os exames complementares daquele paciente revelaram que os sintomas eram decorrentes de uma infecção bacteriana severa, responsável por causar meningite meningocócica. As autoridades ressaltam que o homem permanece recebendo os cuidados médicos necessários nas dependências do Instituto Emílio Ribas, apresentando uma evolução satisfatória em seu estado de saúde.

Transmissão e Gravidade do Vírus Ebola

A febre hemorrágica causada pelo vírus ebola é uma infecção grave e com alto potencial letal. O contágio entre seres humanos se desenvolve única e exclusivamente pelo contato direto ou indireto com sangue, órgãos, fluidos corporais ou secreções infectadas (tais como fezes, urina, saliva e sêmen). Um ponto técnico fundamental destacado pelos médicos é que a transmissão só se concretiza quando o indivíduo infectado já manifesta os sintomas clínicos da doença, não ocorrendo a propagação do agente patogênico por via aérea.

Dados compilados pela Organização Pan-Americana da Saúde demonstram que a infecção historicamente impõe elevados índices de letalidade. No contexto do surto atual verificado na África Central, a taxa de mortalidade registrada entre os pacientes acometidos flutua na faixa entre 55% e 60%.

O histórico da patologia mostra que o vírus ebola foi isolado pela primeira vez pela comunidade científica no ano de 1976, após a identificação de surtos paralelos em uma comunidade próxima ao leito do rio Ebola, localizado na República Democrática do Congo (território que na época correspondia ao Zaire). Desde o primeiro registro histórico, a região centro-africana e outras partes do continente sofreram com surtos intermitentes de magnitudes variadas. O Ministério da Saúde reitera que, historicamente, o Brasil nunca registrou nenhum caso confirmado de infecção por ebola em seu território nacional.

Leia mais 📲https://revistasaudeemforma.com.br/

Sair da versão mobile