Rivotril: os alertas sobre uso contínuo de remédio ‘para emergência’
Especialistas em saúde mental alertam sobre os perigos do uso contínuo e sem acompanhamento de benzodiazepínicos como o Rivotril (clonazepam). Desenvolvidos para momentos de emergência ou tratamento de curto prazo,
Prescritos para conter crises de ansiedade, convulsões e insônia, os benzodiazepínicos exigem uso pontual para evitar dependência, tolerância e dependência emocional.
Por André Biernath – Publicado em 24/07/2026
Disponíveis no mercado mundial desde a década de 1960, os benzodiazepínicos — grupo de medicamentos que abrange substâncias como clonazepam (conhecido popularmente pela marca Rivotril), diazepam e lorazepam — revolucionaram a psiquiatria ao oferecer um tratamento eficaz e com menor risco de morte por superdosagem em comparação aos antigos barbitúricos.
No entanto, com o passar das décadas, a prática clínica revelou um alerta fundamental: estes remédios não foram desenhados para uso contínuo, devendo ser restritos a períodos curtos ou episódios de emergência.
Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam que mais de 65 milhões de caixas/unidades de clonazepam foram vendidas no Brasil apenas em 2022, evidenciando o alto consumo da medicação no país.
Os riscos do uso prolongado
Segundo especialistas, como o psiquiatra Márcio Bernik, coordenador do Programa de Transtornos de Ansiedade do IPq-FMUSP, o uso prolongado por semanas, meses ou anos traz graves consequências à saúde do paciente:
- Tolerância: O cérebro se habitua à substância, exigindo doses cada vez maiores para atingir a mesma sensação de alívio e calmaria.
- Dependência Física e Psicológica: A interrupção abrupta do medicamento pode causar crises severas de abstinência (com piora da ansiedade, tremores e insônia) e criar um vínculo emocional perigoso entre o bem-estar e o comprimido.
- Falsa Solução de Longo Prazo: Os benzodiazepínicos atuam no sintoma (desligando a crise momentaneamente), mas não tratam a causa raiz de transtornos como ansiedade e depressão — papel que cabe a inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) e à psicoterapia.
“Em suma, os benzodiazepínicos não são nem venenos, nem panaceias universais”, sintetiza o psiquiatra Márcio Bernik.
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