Remissão ou cura? A palavra que mexe com o coração de quem venceu o câncer
Muitos pacientes confundem os conceitos de cura e remissão após vencerem o câncer. A jornalista Larissa Müller Gomes explica que a remissão completa — quando não há mais sinais detectáveis
Por Larissa Müller Gomes – Publicado em 25 de maio de 2026 às 17:08
O fim de um tratamento oncológico é um dos momentos mais aguardados e carregados de emoção para qualquer paciente e seus familiares. No entanto, na hora de receber o veredito no consultório, uma palavra específica costuma ecoar e gerar dúvidas: remissão. Para muitos leigos, o termo pode soar incompleto, provocando o questionamento se a remissão não passaria de uma “meia vitória” em comparação com a tão sonhada palavra “cura”. Mas a ciência e a oncologia mostram que o significado por trás disso é gigante.
A remissão completa significa que, após a realização de uma bateria de exames de imagem, sangue e outros testes específicos, todos os sinais e sintomas do câncer desapareceram. O tumor não é mais detectável. Os médicos optam por essa terminologia porque, em nível microscópico, existe uma possibilidade residual de que algumas poucas células tumorais tenham resistido ao tratamento de forma indetectável pelos aparelhos atuais, podendo voltar a se multiplicar no futuro — fenômeno conhecido como recidiva.
Usar o termo remissão, portanto, não diminui o sucesso do tratamento, mas estabelece um pacto de vigilância contínua. É a justificativa científica para que o paciente continue sendo monitorado de perto com exames periódicos ao longo dos anos. À medida que o tempo passa sem que a doença dê novos sinais — geralmente após o marco de cinco anos, a depender do tipo de tumor —, as chances de o câncer retornar caem drasticamente.
A palavra cura, no jargão oncológico, costuma ser aplicada de forma retrospectiva. Ela é consolidada quando o tempo de remissão é longo o suficiente para que os médicos considerem que o risco de a doença voltar é igual ou menor do que o de qualquer outra pessoa da população geral desenvolver um tumor inédito.
Lidar com a transição entre o tratamento ativo e a fase de acompanhamento exige muito suporte psicológico. A ansiedade que antecede os exames de rotina é um sentimento real e comum na rotina dos sobreviventes. Compreender que a remissão é o melhor cenário clínico possível ao final de uma jornada contra o câncer ajuda a transformar o medo em um sentimento de celebração e alívio, ressignificando cada etapa da vida que recomeça.
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