Ambos os quadros podem apresentar sintomas bem parecidos, mas afetam regiões diferentes do rosto
Por CNN- Publicado em 15/07 2026 16:40 Foto: IA
É muito comum as pessoas confundirem gripe, resfriado, rinite e sinusite devido à semelhança de alguns sintomas iniciais, como a congestão nasal e os espirros. No entanto, o tratamento e a gravidade de cada uma dessas condições são completamente diferentes. Para esclarecer essas dúvidas e orientar a população, o pneumologista Clystenes Odyr Soares Silva e a infectologista Nancy Bellei, ambos professores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), detalharam as características de cada quadro clínico no programa Sinais Vitais, apresentado pelo Dr. Kalil.
A principal mensagem dos especialistas é de cautela: o uso indiscriminado e precoce de antibióticos para tratar infecções que começam como virais ou alérgicas não traz benefícios e alimenta um dos maiores problemas de saúde pública global, que é a resistência das bactérias aos medicamentos.
A diferença entre as infecções virais: Gripe vs. Resfriado
A gripe é causada pelo vírus Influenza e tem um impacto histórico devastador — como a Gripe Espanhola, que vitimou cerca de 40 milhões de pessoas no século passado. Atualmente, a estimativa é de que 10% da população mundial contraia o vírus todos os anos, gerando de 250 mil a 600 mil mortes anuais.
O pneumologista Clystenes Silva enfatiza que a gripe é, essencialmente, uma doença febril e sistêmica que costuma deixar o paciente de cama. Os principais sintomas são:
- Febre alta repentina (normalmente entre 38,5°C e 39°C);
- Dor muscular generalizada e dor nas articulações;
- Dor de cabeça intensa e fadiga extrema.
Já o resfriado comum, embora também seja de origem viral (causado por outros tipos de vírus, como o rinovírus), apresenta sintomas muito mais leves, restritos às vias aéreas superiores, como coriza, obstrução nasal e dor de garganta leve, raramente evoluindo com febre alta ou prostração.
Rinite e Sinusite: Processo alérgico contra inflamação dos seios da face
Diferente das anteriores, a rinite não é uma doença infecciosa. Trata-se de uma reação alérgica a poeira, pólen, pelos de animais ou mudanças bruscas de temperatura. “O melhor serviço de meteorologia é o nariz de quem tem rinite”, brincou Clystenes, referindo-se a como os espirros e a coceira no nariz surgem imediatamente antes de o tempo mudar. Como não há presença de vírus ou bactérias na origem do quadro, o tratamento é focado em anti-histamínicos e controle ambiental, dispensando totalmente o uso de antibióticos.
A sinusite (ou rinossinusite), por sua vez, costuma ser uma complicação de um resfriado ou gripe. Ela ocorre quando os canais que conectam o nariz aos seios da face ficam obstruídos, acumulando secreção. Os sintomas iniciais incluem dor de cabeça, pressão facial e congestão.
Nas fases iniciais (geralmente virais), o tratamento deve conter apenas lavagem nasal com soro fisiológico e descongestionantes. O uso de antibióticos só deve ser cogitado caso os sintomas persistam por mais de 8 a 10 dias de forma contínua ou piorem significativamente — apresentando febre tardia, dor intensa ao abaixar a cabeça e secreção purulenta (esverdeada) —, o que pode indicar que houve uma infecção bacteriana secundária.
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