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Psicologia

Psicologia e Economia Explicam por que Ostentamos e Consumimos Itens de Luxo

Estudo analisa os fatores psicológicos e econômicos por trás do consumo de luxo e da ostentação. A busca por pertencimento, a comparação social impulsionada pelas redes sociais e a compensação

Psicologia e Economia Explicam por que Ostentamos e Consumimos Itens de Luxo
Airton Guimes da Silva
  • Publishedsetembro 26, 2026

Especialistas em economia e psicologia explicam como a busca por autoafirmação, pertencimento a grupos e a comparação social impulsionam o consumo de bens de alto valor.

Por Deutsche Welle — Publicado em 26/09/2026 – 09:26  – Foto: Adobe Stock

A aquisição de produtos caros nem sempre está ligada apenas ao apreço pela qualidade, pelo design ou pela funcionalidade do item. Frequentemente, a decisão de compra é guiada pelo consumo ostensivo — um comportamento analisado por psicólogos e economistas para explicar por que indivíduos comprometem o próprio orçamento para exibir bens de alto valor e adquirir símbolos de status social.

Relatos de consumidores e estudos acadêmicos apontam que por trás do hábito de comprar roupas de grife, carros sofisticados e eletrônicos de última geração existe uma busca por autoafirmação, exclusividade e pertencimento a determinados grupos.

Exclusividade e Pertencimento: As Teorias de Economia e Psicologia

O conceito de “consumo conspícuo” foi formulado no final do século XIX pelo economista e sociólogo americano Thorstein Veblen. A teoria descreve a aquisição e exibição de bens caros como um mecanismo para demonstrar riqueza e posição social.

A psicologia econômica complementa essa visão apontando que o consumo funciona como uma ferramenta de comunicação interpessoal:

  • Exclusividade e Comparação Social: Segundo a psicóloga econômica Vera Rita Ferreira, os seres humanos buscam naturalmente se destacar. Possuir algo que poucas pessoas têm garante uma sensação de exclusividade. A comparação contínua com os outros costuma refletir insegurança sobre a própria posição social.
  • O “Self Estendido”: Formulado pelo pesquisador Russell Belk, o conceito estabelece que os objetos possuídos passam a integrar a própria identidade do indivíduo. Nelsio Rodrigues, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), ressalta que muitos consumidores buscam o pertencimento a uma “tribo” ou grupo social específico ao adotar determinadas marcas.
  • Gatilhos Emocionais e Rejeição: Pesquisas publicadas na revista Frontiers in Psychology mostram que pessoas expostas a memórias de rejeição ou traição apresentam maior inclinação ao consumo ostensivo como forma de compensação emocional e busca por aceitação.

“Pobreza de Luxo” e a Armadilha do Crédito Fácil

Ao longo do tempo, o acesso aos símbolos de status passou por profundas transformações. Se no passado o luxo era restrito a elites financeiras, a expansão do crédito e o parcelamento de compras permitiram que pessoas de média e baixa renda adquirissem bens de alto custo, ainda que à custa do comprometimento de rendas futuras.

Esse fenômeno deu origem ao termo “pobreza de luxo”, que descreve a situação em que o consumidor acessa padrões de consumo elevados, mas vive sob constante pressão financeira e sem capacidade de poupança devido ao endividamento contínuo.

A proliferação das redes sociais também exacerbou a comparação social. Se antes a régua de comparação limitava-se a vizinhos e colegas de trabalho, hoje a exposição contínua a estilos de vida ostentados por influenciadores digitais gera o chamado “comportamento de manada”, aumentando a ansiedade e a insatisfação pessoal.

Apoio Profissional e Educação Financeira

Quando o consumo de status sai do controle e se transforma em compulsão, o acompanhamento psicológico e psiquiátrico torna-se indispensável. Grupos de apoio como os Devedores Anônimos (DA) e a adoção de planos estritos de gastos ajudam a impor limites às compras por impulso.

A implementação de regras práticas — como consultar terceiros antes de realizar compras acima de determinado valor e fixar teto máximo para gastos supérfluos — são estratégias eficazes para interromper o ciclo do endividamento e redefinir a relação com o dinheiro.

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