Preços de medicamentos registram variação de mais de 2.400% em farmácias da cidade de São Paulo

Levantamento do Procon-SP aponta que o mesmo remédio genérico chega a custar de R$ 3,87 a R$ 98,05 em diferentes regiões; órgão orienta comparar laboratórios e programas de fidelidade.

Por Elaine Patricia Cruz — Repórter da Agência Brasil – Publicado em 08/07/2026 11:12

Adquirir o mesmo medicamento na cidade de São Paulo pode exigir do consumidor uma pesquisa rigorosa para evitar prejuízos financeiros. Um levantamento divulgado nesta terça-feira (7) pelo Procon-SP revelou que o preço de um mesmo remédio genérico chega a apresentar uma diferença impressionante de até 2.433,59% entre diferentes estabelecimentos comerciais da capital paulista.

Como exemplo desse abismo de preços, o órgão citou uma cartela com 30 comprimidos de 5 miligramas de um medicamento genérico voltado para o tratamento de disfunção erétil. O produto foi localizado por R$ 98,05 em uma farmácia situada na zona norte da cidade, enquanto o mesmíssimo item custava apenas R$ 3,87 em um comércio da zona sul. Diferenças expressivas também foram registradas em medicamentos de referência (de marca): uma caixa com 30 comprimidos para hipotireoidismo variou de R$ 10,73 a R$ 41,43 a depender da drogaria.

Genéricos Seguem Como Opção Mais Econômica

Apesar das distorções de mercado entre as redes, a pesquisa do Procon-SP confirmou que os medicamentos genéricos continuam sendo a melhor alternativa para aliviar o orçamento doméstico. Em média, os remédios genéricos custam 63,05% menos do que os medicamentos de referência de marca, gerando uma economia direta e significativa para pacientes que fazem uso de tratamentos contínuos.

Diante do cenário de forte oscilação, o Procon recomenda que os cidadãos criem o hábito de cotar os valores antes de fechar a compra. Outra orientação fundamental é verificar previamente se o remédio desejado está disponível de forma gratuita ou subsidiada em programas sociais governamentais (esferas federal, estadual ou municipal), como o Farmácia Popular. O órgão orienta ainda checar descontos oferecidos por planos de saúde e os programas de fidelidade mantidos por laboratórios e pelas próprias redes farmacêuticas.

Detalhes do Levantamento do Procon

A coleta de dados foi realizada por técnicos do Procon nos dias 19 e 20 de maio, visitando presencialmente dez farmácias e drogarias da capital paulista, além de comércios de outros dez municípios do interior e litoral do estado. O órgão também realizou auditorias virtuais nos portais eletrônicos de dez grandes redes do setor.

Ao todo, foram confrontados os valores de mais de 70 medicamentos, englobando categorias de alta circulação como antitérmicos, anti-inflamatórios, ansiolíticos, antibióticos, anticoncepcionais, antidepressivos e fórmulas voltadas ao controle do colesterol e da artrite reumatoide. Nas gôndolas, o Procon alerta para que o comprador confira sempre o registro no Ministério da Saúde, o lote e os prazos de validade e fabricação estampados tanto na caixa externa quanto na cartela interna do remédio.

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