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SAÚDE BUCAL

Por que o país com mais dentistas do mundo ainda negligencia a saúde bucal?

Mesmo concentrando mais de 440 mil dentistas, o Brasil enfrenta desigualdades regionais e financeiras que restringem o acesso da população aos cuidados de saúde bucal.

Por que o país com mais dentistas do mundo ainda negligencia a saúde bucal?
Airton Guimes da Silva
  • Publishedsetembro 8, 2026

Apesar de abrigar mais de 440 mil profissionais inscritos, o Brasil vive o contraste entre a alta concentração urbana de especialistas e o déficit de atendimento Odontológico na rede pública e nas regiões mais vulneráveis.

Por Veja Saúde – Publicado em 08/09/2026 às 10:47 – Foto: Caroline LM/Unsplash

O Brasil carrega uma marca expressiva no cenário global da saúde: é o país com o maior número absoluto de cirurgiões-dentistas do mundo, ultrapassando a marca de 440 mil profissionais cadastrados. Contudo, essa abundância quantitativa de especialistas não se traduz em cobertura universal nem em prevenção efetiva para a maior parte da população.

A contradição da odontologia brasileira reside em barreiras socioeconômicas, geográficas e estruturais que mantêm o acesso aos cuidados bucais restrito e desigual.

Fatores do Paradoxo Odontológico

Especialistas e gestores de saúde apontam os principais motivos que levam ao gargalo no atendimento bucal no país:

  • MÁ DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA: A grande maioria dos cirurgiões-dentistas está concentrada em capitais e grandes centros urbanos do Sul e Sudeste. Áreas rurais, periferias e municípios do Norte e Nordeste enfrentam severa escassez de profissionais.
  • BARREIRA FINANCEIRA NO SETOR PRIVADO: Grande parte da categoria atua exclusivamente em consultórios privados ou planos Odontológicos fechados, tornando tratamentos complexos financeiramente inacessíveis para populações de baixa renda.
  • DESAFIOS NA REDE PÚBLICA (BRASIL SORRIDENTE): Embora o programa de saúde bucal do Sistema Único de Saúde (SUS) represente um avanço estrutural importante, a demanda represada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) gera longas filas de espera.
  • CULTURA REPARADORA VS. PREVENTIVA: Prevalece no histórico da população a busca por atendimento apenas em momentos de dor aguda ou perda dentária, em vez da manutenção e prevenção contínuas.

Fortalecer a integração da odontologia na atenção primária do SUS e incentivar a fixação de profissionais em regiões desassistidas surgem como caminhos vitais para reverter o cenário e garantir que a saúde bucal seja tratada como direito essencial.

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