Por que a miopia infantil está aumentando no mundo? Hábitos modernos podem ser a resposta

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Aumento de diagnósticos antes da alfabetização preocupa oftalmologistas; redução de telas e brincadeiras ao ar livre são essenciais para proteger a saúde ocular na infância

Por Nicole S. Loureiro — Publicado em 19/09/2026 – 08:24 – Foto: Magnific/Reprodução

O avanço da miopia entre crianças tem se consolidado como uma preocupação de saúde pública global. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) projetam que 3,36 bilhões de pessoas serão míopes até 2030, e que metade da população do planeta será afetada pela condição até 2050. Especialistas apontam que a mudança comportamental nas últimas décadas é o principal catalisador para o surgimento precoce do erro de refração.

A médica oftalmologista pediátrica Carolina Hammes, do Instituto Brasileiro de Oftalmologia (IBOL), explica que atividades tradicionais ao ar livre deram lugar ao entretenimento individual e tecnológico dentro de casa. O hábito prolongado de olhar para telas em ambientes fechados força o foco contínuo para perto e reduz a exposição à iluminação natural, fatores que favorecem o alongamento atípico do globo ocular — causa fisiológica da miopia. Como os olhos atingem a maturação completa aos 7 anos, o impacto dos maus hábitos tem se refletido em diagnósticos cada vez mais precoces, ocorrendo antes da fase de alfabetização.

Para conter o avanço da condição, diretrizes como o Guia sobre Uso de Dispositivos Digitais do Governo Federal orientam proibir telas para crianças menores de 2 anos, limitar a uma hora diária para a faixa de 2 a 5 anos e evitar que menores de 12 anos possuam dispositivos próprios. Além do controle do tempo de tela, a prática diária de atividades físicas sob luz natural é recomendada para retardar a progressão do grau.

Oftalmologistas orientam que a primeira consulta visual ocorra entre os 6 e 12 meses de vida, com acompanhamento periódico, especialmente em famílias com histórico genético. Pais devem ficar atentos a sinais como dores de cabeça frequentes, hábito de piscar em excesso, aproximação exagerada de livros ou telas e dificuldade para enxergar a lousa escolar, que podem comprometer o aprendizado e o desenvolvimento infantil.

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