Pesquisadores descobrem como o vírus da gripe sequestra células humanas para se multiplicar
Cientistas do EMBL descobriram como o vírus Influenza A invade e reprograma células humanas para se multiplicar. O estudo revelou que o vírus usa disfarces proteicos e desmancha estruturas de
Estudo publicado na Nature Microbiology mapeou dois “truques” usados pelo influenza A para invadir o organismo, manipular proteínas e desmantelar compartimentos de defesa celular com auxílio de inteligência artificial.
Por Redação g1 – Publicado em 20/07/2026 – 17:06 Foto: Freepik
Uma pesquisa internacional liderada por cientistas do Laboratório Europeu de Biologia Molecular (EMBL), na Alemanha, revelou em detalhes inéditos a mecânica pela qual o vírus da gripe (influenza A) assume o controle das células humanas. O mapeamento abre perspectivas promissoras para a criação de medicamentos antivirais e vacinas mais eficazes contra a doença, que segue vitimando milhares de pessoas anualmente no mundo.
Utilizando uma combinação de biologia molecular e ferramentas avançadas de inteligência artificial, a equipe demonstrou que o vírus atua como um verdadeiro “hacker” celular, infiltrando-se na linha de produção orgânica e sequestrando estruturas internas para produzir milhares de réplicas de si mesmo.
Os dois mecanismos de invasão identificados pelo estudo
A pesquisa, publicada na revista científica Nature Microbiology, isolou duas estratégias chave empregadas pelo vírus para dominar as células:
- Uso de disfarce na linha de produção: A hemaglutinina, proteína chave da superfície do vírus que funciona como “chave” de entrada nas células, utiliza as próprias proteínas humanas — algumas das quais com funções até então desconhecidas — para moldar e dar acabamento às estruturas virais, permitindo que passem despercebidas pelo sistema imune.
- Desmonte de compartimentos de segurança (paraspeckles): Dentro do núcleo celular, o vírus força a dissolução dos paraspeckles (pequenas estruturas que armazenam proteínas defensivas). Ao desmanchar esses “cofres”, o vírus enfraquece a resposta imunológica e, simultaneamente, utiliza as proteínas liberadas como matéria-prima para sua replicação.
— “Observar essas minúsculas estruturas se dissolverem em todas as cepas de gripe que testamos nos indicou que isso não é um efeito colateral da infecção — é uma estratégia do próprio vírus”, explica Iuliia Kotova, primeira autora do estudo.
Tecnologia de ponta e uso de Inteligência Artificial
Até então, o estudo dessas interações era limitado porque os métodos exigiam a destruição das células antes da medição, misturando proteínas artificialmente. A solução veio com a aplicação de uma versão adaptada da espectrometria de massa com reticulação (XL-MS) no Instituto Leibniz (FMP), em Berlim, capaz de registrar as interações do vírus dentro da célula viva.
Esses dados foram integrados a uma versão modificada do AlphaFold, sistema de inteligência artificial desenvolvido pela DeepMind para previsão de estruturas de proteínas (tecnologia laureada com o Prêmio Nobel). O software permitiu simular com precisão o encaixe físico entre as moléculas humanas e as virais, revelando alvos inéditos para o desenvolvimento de novos tratamentos.
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