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ENDROCRINOLOGIA

Ozempic ou Mounjaro? Especialistas fixam meta de proteína e recomendam musculação para evitar perda muscular

Um consenso internacional publicado na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology definiu que quem usa Ozempic, Mounjaro ou Wegovy precisa consumir de 1 a 1,5 g de proteína por quilo

Ozempic ou Mounjaro? Especialistas fixam meta de proteína e recomendam musculação para evitar perda muscular
Airton Guimes da Silva
  • Publishedjulho 22, 2026

Publicado no periódico The Lancet Diabetes & Endocrinology, o primeiro consenso internacional sobre canetas emagrecedoras altera o foco do tratamento, priorizando a qualidade da composição corporal e a preservação da massa magra.

Por Redação g1 – Publicado em 22/07/2026 – 10:21

O primeiro consenso global dedicado exclusivamente ao manejo do uso de medicamentos agonistas de GLP-1 e similares — como Ozempic, Wegovy e Mounjaro — estabeleceu novas diretrizes para o acompanhamento dos pacientes. Elaborado por três entidades europeias de referência na pesquisa da obesidade e publicado na conceituada revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, o documento concluiu que o sucesso do tratamento não deve mais ser medido apenas pelo ponteiro da balança.

Como a redução drástica de peso promovida pelas canetas emagrecedoras é acompanhada pela perda involuntária de massa magra (músculos), os médicos passaram a colocar a musculação e a ingestão proteica monitorada como pilares obrigatórios da terapia.

Ingestão diária de proteína e treino de força

Com a redução expressiva do apetite provocada pelos remédios, o consumo diário de nutrientes essenciais despenca, elevando o risco de desnutrição e fraqueza muscular. Para impedir a perda de massa magra, as novas recomendações estipulam:

  • Quantidade de Proteína: Ingestão de 1 a 1,5 grama de proteína por quilo de peso ajustado por dia — com um piso mínimo absoluto de 60 gramas diárias, fracionadas nas refeições. O uso de suplementos é indicado caso a dieta oral não atinja o patamar.
  • Exercício Obrigatório: Treinos de força e resistência (como a musculação) deixam de ser uma recomendação secundária e passam a integrar o protocolo central. Atividades aeróbicas continuam bem-vindas, mas não substituem o estímulo muscular.

— “Pouco adianta reduzir o número na balança à custa de uma piora nutricional, de cansaço, de queda de cabelo intensa ou da incapacidade de se exercitar. Nos mais vulneráveis, isso aumenta o risco de quedas e fraturas”, explica Rodrigo Lamounier, diretor da Abeso e membro da SBEM.

Sinais de alerta e quando pausar o tratamento

O consenso científico orienta ainda médicos e pacientes sobre o momento de desacelerar, reduzir dosagens ou suspender o uso das medicações. A reavaliação imediata é recomendada nos seguintes quadros:

  • Náuseas e vômitos persistentes com dificuldade de hidratação;
  • Perda de peso excessivamente rápida ou sinais visíveis de desnutrição;
  • Manutenção de uma ingestão calórica abaixo de 800 calorias diárias por tempo prolongado.

A flexibilização da dose ou a interrupção do tratamento podem ocorrer tanto quando o paciente atinge a meta de saúde estabelecida quanto por questões de tolerância gastrointestinal ou perfil de idade (como em idosos que atingiram um patamar seguro).

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