OMS alerta para alta no uso de sachês de nicotina entre jovens

Produto cresce sem controle global, usa marketing atrativo e pode causar dependência precoce, afetando o cérebro em desenvolvimento

Por Isabella França – Publicado em 15/05/2026 14:55

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta global contundente sobre a rápida expansão dos sachês de nicotina. O documento foi divulgado como parte dos preparativos para o Dia Mundial Sem Tabaco (celebrado em 31 de maio), que este ano focará em expor as estratégias da indústria para viciar uma nova geração de consumidores.

De acordo com o primeiro relatório global do órgão sobre o tema, as vendas desses produtos ultrapassaram 23 bilhões de unidades em 2024 (alta de 50%). Em 2025, o mercado global movimentou quase US$ 7 bilhões, avançando em um ritmo que supera a capacidade de regulamentação da maioria dos países.

O que são os sachês de nicotina?

Os sachês (ou pouches) são pequenos pacotes de tecido colocados entre a gengiva e o lábio superior. A nicotina é absorvida diretamente pela mucosa bucal. Embora não contenham tabaco, eles carregam altas doses de nicotina sintética, além de aromatizantes, adoçantes e aditivos químicos.

Riscos ao Desenvolvimento Jovem

A OMS enfatiza que o formato discreto e a ausência de fumaça mascaram um produto altamente viciante. Os principais riscos incluem:

Pequenos, discretos e com aparência inofensiva OMS Chama atenção para risco de dependência

Táticas de Marketing e Falhas na Regulação

O relatório “Expondo as táticas e estratégias de marketing que impulsionam o crescimento das bolsas de nicotina” aponta que a indústria utiliza embalagens modernas, sabores como chiclete e menta, e o patrocínio de influenciadores digitais para normalizar o consumo. Campanhas incentivam o uso em locais onde o cigarro tradicional é proibido, como salas de aula.

Atualmente, o cenário regulatório global é frágil:

“O uso de sachês de nicotina está se espalhando rapidamente, enquanto a regulamentação luta para acompanhar o ritmo. Os governos devem agir agora”, alertou Vinayak Prasad, chefe da Unidade da Iniciativa Livre de Tabaco da OMS.

Recomendações da OMS

Para conter o avanço do vício, a organização defende que os países adotem medidas severas imediatamente, incluindo a proibição de sabores atrativos, o veto total a propagandas em redes sociais, o aumento de impostos e a obrigatoriedade de embalagens neutras com alertas sanitários contundentes.

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