Obesidade é quase 3 vezes maior entre mulheres com insegurança alimentar

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Pesquisa do Instituto de Nutrição Josué de Castro evidencia como as desigualdades de gênero e a sobrecarga do cuidado familiar expõem chefes de família no Rio de Janeiro à contradição entre fome e excesso de peso.

Por Aline Alves Ferreira, Luana Teixeira Ghiggino e Rosana Salles da Costa (g1) – Publicado em 02/10/2026 às 17:02 – Foto: Adobe Stock

A insegurança alimentar tem se consolidado como um fator de risco direto para o desenvolvimento da obesidade entre as mulheres, um fenómeno que curiosamente não se repete na população masculina. É o que revela um estudo inédito conduzido pelo Grupo Interdisciplinar de Estudos em Segurança Alimentar e Nutricional (GISAN), vinculado ao Instituto de Nutrição Josué de Castro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Baseado em dados do Inquérito sobre a Insegurança Alimentar no Município do Rio de Janeiro – Mapa da Fome da Cidade do Rio de Janeiro, o artigo analisou uma amostra de 1.026 chefes de família com idades entre 20 e 59 anos. A classificação domiciliar utilizou a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) para medir os graus de privação (leve, moderada e grave).

Desigualdade de Gênero e o Impacto na Saúde

A análise dos dados após ajustes estatísticos demonstrou que a prevalência de obesidade foi quase três vezes maior entre as mulheres que viviam em domicílios com algum nível de insegurança alimentar em comparação àquelas em segurança alimentar. Além disso, o sobrepeso foi 76% mais frequente nas famílias submetidas às formas mais severas de escassez de alimentos.

As pesquisadoras reforçam a necessidade urgente de reformular políticas públicas de saúde e abastecimento, criando estratégias territorializadas que levem em consideração o recorte de gênero para combater, simultaneamente, a fome e as doenças crônicas não transmissíveis.

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