Dados do Ministério da Saúde revelam que o problema atinge mais de um quinto dos adolescentes e adultos no país; especialistas alertam para dores espontâneas e o impacto de problemas emocionais na arcada dentária
Por AmorSaúde – Publicado em 19/05/2026 às 15:16
A dor de dente é um problema crônico que aflige brasileiros de todas as idades, gerando grande desconforto e impactando a produtividade diária. De acordo com dados oficiais do SB Brasil, uma pesquisa nacional de saúde bucal realizada pelo Ministério da Saúde, 20,94% dos adolescentes e 23,21% dos adultos (na faixa etária de 35 a 44 anos) relataram ter sofrido com o problema nos seis meses anteriores ao estudo. O que a maioria das pessoas desconhece é que a origem desse incômodo pode ir muito além da cárie tradicional e, em alguns casos, nem sequer se originar na cavidade bucal.
“Além da deficiência crônica na higiene bucal diária, diversos fatores biológicos e estruturais podem desencadear a dor dentária. O sintoma costuma estar diretamente associado à inflamação da polpa (a parte interna e viva do dente), ao bruxismo, à sensibilidade extrema, a fraturas coronárias ou a alterações agudas na gengiva e nos ossos da face”, esclarece Camile Pacheco, dentista da rede AmorSaúde.
Causas Ocultas da Dor: Quando o Problema Não Está no Dente
Embora a proliferação de bactérias por falta de escovação adequada seja a causa primária de inflamações e perda dos dentes, a especialista ressalta que o corpo humano funciona de forma interligada. A dor de dente muitas vezes é um reflexo mecânico ou infeccioso de outras estruturas anatômicas.
Abaixo estão os principais fatores diagnósticos que desencadeiam o incômodo sem relação direta com a higiene:
- Falta de espaço na mandíbula: O nascimento tardio dos dentes do siso costuma empurrar e pressionar a arcada dentária, gerando forte compressão e dor nos dentes vizinhos.
- Sinusite crônica ou aguda: A inflamação dos seios paranasais (cavidades aéreas da face) pressiona diretamente as raízes dos dentes superiores, gerando uma sensação de dor contínua, mesmo em bocas perfeitamente limpas.
- Problemas nos ossos da face: Disfunções nas articulações e ligamentos localizados entre a mandíbula e o crânio podem irradiar dores severas para a região dos dentes.
- Gatilhos emocionais e psicossomáticos: Quadros de ansiedade crônica e excesso de estresse são os principais causadores do bruxismo, o ato inconsciente de ranger ou travar os dentes durante o sono, desgastando o esmalte e sobrecarregando os tecidos de suporte.
Rachaduras microscópicas na estrutura dentária e o desgaste progressivo do esmalte protetor também abrem caminho para a dor, manifestando-se principalmente como pontadas agudas quando a boca entra em contato com alimentos muito quentes, frios ou ácidos.
Sinais de Alerta e Hábitos Prejudiciais
A dor de dente deve ser tratada como um sinal de alerta de urgência quando se manifesta de forma espontânea — ou seja, surge de repente, sem a necessidade de um estímulo como um choque térmico ou uma pancada. Incômodos persistentes ao mastigar alimentos consistentes também exigem uma consulta odontológica imediata para evitar a evolução do quadro para uma infecção generalizada ou a necessidade de um tratamento de canal.
A dentista elenca quatro comportamentos rotineiros que destroem a barreira protetora da boca e funcionam como aceleradores de patologias:
- Consumo excessivo de carboidratos fermentáveis: Alimentos cotidianos como pães, bolachas e laticínios deixam resíduos açucarados que alimentam as bactérias, desgastando o esmalte protetor.
- Uso incorreto e violento do fio dental: Passar o fio sem a angulação correta ou com muita pressão corta o tecido gengival, abrindo portas para inflamações e sangramentos.
- Escovação com força desproporcional: Utilizar cerdas duras ou esfregar os dentes com violência causa a retração da gengiva e expõe a raiz do dente, gerando sensibilidade extrema.
- Negligência na higiene bucal: A ausência de uma rotina mínima de limpeza permite a fixação da placa bacteriana e do tártaro, desencadeando doenças periodontais.
A principal recomendação para blindar a saúde da boca é a prevenção ativa por meio de visitas periódicas ao consultório. O cirurgião-dentista é o único profissional capaz de mapear e diagnosticar precocemente microlesões e disfunções antes que elas evoluam para crises agudas de dor.
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