Órgão responsável por mais de 500 funções vitais necessita de constância em hábitos saudáveis para regenerar tecidos e afastar riscos de esteatose e cirrose; chás “detox” não possuem comprovação e podem trazer riscos
Por Gessika Julia Carvalho — Publicado em 19/09/2026 – 09:57
O acompanhamento da saúde do fígado — órgão vital responsável por executar mais de 500 funções essenciais, incluindo a filtragem de toxinas, metabolização de nutrientes e síntese de proteínas — depende da adoção de hábitos de vida saudáveis e consistentes. Apesar da popularidade de chás, sucos e pílulas vendidos com a promessa de promover um “detox hepático”, a ciência reforça que o próprio órgão realiza sua purificação de forma natural, e que a utilização de extratos vegetais sem orientação médica pode, inclusive, sobrecarregar o sistema hepático.
O acúmulo de gordura nas células do fígado (esteatose hepática) é uma condição silenciosa associada ao sedentarismo, ao excesso de peso e à ingestão frequente de bebidas alcoólicas, ultraprocessados e açúcares refinados. Quando não controlada, a gordura hepática pode evoluir para quadros inflamatórios graves, como a esteato-hepatite e a cirrose.
Para prevenir alterações na função hepática e proteger o órgão, a literatura médica destaca pilares fundamentais de cuidados diários:
- Manutenção do peso adequado: A perda gradual de 5% a 10% do peso corporal melhora a gordura hepática e reduz marcadores inflamatórios.
- Consumo moderado ou nulo de álcool: A diminuição da ingestão alcoólica evita a sobrecarga e o dano celular crônico.
- Alimentação in natura: Priorização de frutas, verduras, legumes, grãos integrais, peixes e azeite de oliva, com redução de embutidos e ultraprocessados.
- Redução de açúcar e frutose industrializada: Limitação de refrigerantes, doces e sucos de caixinha.
- Atividade física regular: Prática de pelo menos 150 minutos semanais de exercícios de intensidade moderada.
- Sono reparador: Manutenção de sete a nove horas de descanso por noite para a regulação metabólica.
Uma revisão sistemática publicada no periódico BMJ Open Gastroenterology reforçou que intervenções voltadas à reeducação alimentar e ao incremento da atividade física constituem o tratamento de primeira linha para a doença gordurosa não alcoólica do fígado. Segundo o levantamento, a perda ponderal sustentada reverte o acúmulo de gordura e normaliza as enzimas TGO e TGP.
Como o fígado costuma apresentar alterações de forma silenciosa, a presença de sintomas como fadiga persistente, dor no lado superior direito do abdômen, amarelamento da pele e dos olhos (icterícia), urina escura ou fezes claras exige investigação com clínico geral ou hepatologista. O cuidado preventivo também contempla evitar a automedicação e realizar exames de rotina.
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