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SAÚDE SEXUAL

Novos dados mostram que injeção semestral para prevenir o HIV mantém eficácia de quase 100%

Estudos internacionais confirmam que a injeção semestral de lenacapavir mantém eficácia perto de 100% na prevenção do HIV. Aprovado pela Anvisa em janeiro, o medicamento aguarda definição de preço na

Novos dados mostram que injeção semestral para prevenir o HIV mantém eficácia de quase 100%
Airton Guimes da Silva
  • Publishedjulho 21, 2026

Aplicação do lenacapavir realizada apenas duas vezes ao ano não registrou infecções em mulheres e teve apenas um novo caso em outros grupos; já aprovado pela Anvisa, medicamento aguarda definição de preço para análise no SUS.

Por Roberto Peixoto / g1 – Publicado em 21/07/2026 – 16:36

Novos dados globais divulgados nesta terça-feira (21) revelam que a injeção semestral de lenacapavir (nome comercial Sunlenca) manteve níveis de eficácia e proteção próximos a 100% contra o HIV, mesmo após mais de um ano de acompanhamento contínuo dos voluntários. Os resultados integram os estudos internacionais de fase estendida PURPOSE 1 e PURPOSE 2 e serão apresentados formalmente durante a 26ª Conferência Internacional de AIDS (AIDS 2026), que acontece entre os dias 26 e 31 de julho, no Rio de Janeiro.

O principal diferencial do lenacapavir em relação aos tratamentos de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) tradicionais é a conveniência: trata-se de um antirretroviral de ação prolongada administrado via injeção apenas duas vezes ao ano, eliminando a necessidade da tomada diária de comprimidos.

Resultados dos estudos PURPOSE 1 e PURPOSE 2

  • PURPOSE 1 (Mulheres cisgênero): Das participantes elegíveis, 95% optaram por manter ou iniciar as aplicações. Durante as 52 semanas de acompanhamento da nova fase, não houve nenhum caso de infecção por HIV no grupo que recebeu o medicamento, com uma adesão de 96% ao calendário de injeções.
  • PURPOSE 2 (Homens cisgênero, homens trans, mulheres trans e pessoas não binárias): O levantamento — que contou com participantes brasileiros — registrou apenas um novo caso de HIV entre pessoas com as aplicações dentro do prazo. A equipe médica investiga os níveis sanguíneos da droga nesse indivíduo para compreender a falha pontual.

Somando todo o histórico do ensaio clínico até o momento, foram registrados apenas 4 casos de contágio entre os 3.004 voluntários vacinados com o esquema de lenacapavir, índice considerado extraordinariamente baixo pelos infectologistas.

Caminho para o SUS e pesquisa da Fiocruz no Brasil

Apesar de o medicamento ter recebido a aprovação sanitária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro, o lenacapavir ainda não está disponível na rede pública. Para que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) possa avaliar sua inclusão no sistema de saúde, a fabricante Gilead Sciences precisa concluir o processo de fixação do preço teto junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). No exterior, o custo anual do tratamento supera os US$ 25 mil por pessoa.

Enquanto a precificação tramita, o Brasil já realiza um estudo de implementação na vida real conduzido pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). O projeto ImPrEP LEN Brasil, liderado pela médica Beatriz Grinsztejn, atenderá 1.500 voluntários de 16 a 30 anos em sete cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus, Campinas e Nova Iguaçu, avaliando a aceitação e a logística do injetável no cotidiano dos postos de saúde.

Versão em comprimido semanal para quem já vive com o vírus

Além da profilaxia preventiva, a conferência no Rio apresentará dados dos ensaios ISLEND-1 e ISLEND-2. As pesquisas avaliaram uma nova combinação de lenacapavir com islatravir em formato de comprimido semanal para pessoas que já vivem com o HIV. Os testes com mais de 1.200 voluntários comprovaram eficácia idêntica à dos coquetéis diários atuais, sem o surgimento de novos efeitos colaterais.

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