Campanha global deste ano destaca a necessidade de monitorar crescimento, nutrição e aspectos neurológicos em crianças nascidas antes de 37 semanas de gestação.
Por Flávia Albuquerque (Agência Brasil) — Publicado em 03/11/2026 hora 16:56 – Foto: BLH IFF/Fiocruz/Divulgação
A chegada do Novembro Roxo, mês de conscientização sobre a prematuridade, traz um alerta decisivo para a saúde infantil: os bebês que nascem antes de 37 semanas de gestação continuam necessitando de acompanhamento médico especializado mesmo após receberem alta da UTI neonatal.
Elaborada em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e entidades internacionais, a edição deste ano traz o tema: “Prematuro: pequeno no tamanho, grande no potencial. Investir no acompanhamento pós-alta é proteger o futuro”. O objetivo é deslocar o foco exclusivo da sobrevivência no ambiente hospitalar para a garantia de qualidade de vida e o pleno desenvolvimento neurológico, motor e nutricional ao longo da infância.
Os desafios da transição para o lar
Segundo Denise Suguitani, diretora executiva da ONG Prematuridade.com, a sociedade precisa compreender que a alta hospitalar é apenas uma etapa vencida na trajetória do bebê prematuro.
“Durante muito tempo, o olhar esteve concentrado principalmente na sobrevivência e nos desafios da internação neonatal. Essa etapa continua sendo fundamental, mas precisamos avançar na discussão sobre o que acontece depois. Investir nesse cuidado é oferecer oportunidades para que cada criança alcance seu potencial”, reforça Suguitani.
A pediatra e neonatologista Rita Silveira, professora da Faculdade de Medicina da UFRGS, explica que a saída da UTI gera nos pais um sentimento ambíguo de alegria e insegurança, já que o organismo do bebê pré-termo ainda está em fase intensa de maturação:
- Desenvolvimento neurológico: Identificação precoce de possíveis atrasos para início imediato de terapias estimulantes;
- Controle respiratório e nutricional: Monitoramento de quadros de ganho de peso, refluxo e suscetibilidade a infecções respiratórias;
- Idade corrigida: Acompanhamento do crescimento considerando a data em que a criança deveria ter nascido, respeitando a individualidade do organismo.
Dados de internações e readmissões no Brasil
Um levantamento realizado com base em registros da plataforma DRG Brasil (Grupo IAG Saúde) computou 75.301 internações relacionadas ao nascimento de bebês prematuros no país entre janeiro de 2022 e junho de 2026.
Os números do levantamento revelam o panorama da prematuridade no Brasil:
- Necessidade de UTI: 53,7% dos casos exigiram cuidados intensivos neonatais;
- Tempo de internação: A permanência média hospitalar foi de 15,2 dias, saltando para 49,4 dias entre os bebês nascidos com menos de 28 semanas de gestação;
- Readmissões nos primeiros 30 dias: Pelo menos 1.789 bebês precisaram reinternar após a alta, motivados principalmente por icterícia (69,4%), complicações alimentares (9,8%) e infecções ou problemas respiratórios.
Outro estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acompanhou 34 bebês prematuros em acompanhamento híbrido até os 12 meses de idade corrigida. Do total, 18 apresentaram alterações nos exames de desenvolvimento e foram prontamente encaminhados para programas de intervenção precoce.
Saiba mais 📲https://revistasaudeemforma.com.br/
